Saúde

Tatuagens? Podem não ser tão inocentes quanto pensa

Notícias de Coimbra | 1 dia atrás em 06-01-2026

Embora o significado pessoal de uma tatuagem seja evidente, os seus efeitos biológicos são muito menos visíveis e ainda estão longe de ser totalmente compreendidos. Quando a tinta é injetada na pele, não permanece apenas no local da tatuagem: os pigmentos interagem com o sistema imunitário e podem espalhar-se pelo organismo.

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Segundo um artigo no The Conversation, Manal Mohammed, professora de Microbiologia Médica, Universidade de Westminster, as tintas de tatuagem são misturas químicas complexas, muitas vezes com pigmentos originalmente desenvolvidos para uso industrial, como tintas automóveis ou plásticos.

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Algumas contêm metais pesados (níquel, crómio, cobalto ou chumbo), conhecidos por provocar reações alérgicas e toxicidade. Outras incluem corantes azo e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), compostos que, em certas condições, podem degradar-se em substâncias potencialmente cancerígenas.

Após a tatuagem, o corpo reconhece os pigmentos como corpos estranhos. As células imunitárias tentam eliminá-los, mas acabam por os reter, tornando a tatuagem permanente. Estudos mostram ainda que partículas de tinta podem migrar para os gânglios linfáticos, levantando dúvidas sobre os efeitos da exposição prolongada nestes tecidos essenciais à defesa imunitária.

Investigação recente sugere que os pigmentos das tatuagens podem influenciar a resposta do sistema imunitário, provocar inflamação e até interferir, em determinadas situações, com a eficácia de algumas vacinas. Embora não exista prova sólida de uma ligação direta entre tatuagens e cancro em humanos, estudos laboratoriais indicam riscos potenciais, sobretudo quando os pigmentos se degradam com o tempo, a luz solar ou a remoção a laser.

Os riscos mais bem documentados continuam a ser reações alérgicas, inflamação crónica e infeções, especialmente associadas a tintas vermelhas e a práticas de higiene inadequadas. A falta de regulamentação uniforme e de transparência nos ingredientes agrava estas preocupações.

Para a maioria das pessoas, as tatuagens não causam problemas graves, mas não são isentas de riscos. À medida que se tornam maiores, mais numerosas e mais coloridas, aumenta a exposição química ao longo da vida, reforçando a necessidade de mais investigação, melhor regulamentação e maior informação para o público, lê-se no ZAP.

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