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Cinema

Steven Spielberg tinha “desejo desesperado” de fazer a sua versão de “West Side Story”

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Steven Spielberg tinha um “desejo desesperado” de fazer a sua versão do clássico “West Side Story”, disse o realizador, em Los Angeles, numa conferência de imprensa de lançamento do seu novo filme, que se estreia hoje em Portugal. 

A adaptação de Spielberg do musical mantém a história na Nova Iorque dos anos cinquenta e recupera as letras escritas por Stephen Sondheim, que morreu em novembro, para a obra original.

“O Steve foi a primeira pessoa com quem me encontrei quando quis comprar os direitos para fazer a nossa versão”, disse Spielberg. “Todas as vezes que me encontrava com ele queria dizer-lhe que tinha este desejo desesperado de fazer a minha versão de ‘West Side Story’, mas as palavras não me saíam”, recordou.

Quando finalmente o fez, Sondheim envolveu-se de forma muito direta na conceção desta adaptação, não apenas na gravação das músicas, mas também no argumento escrito por Tony Kushner.

Protagonizado por Rachel Zegler (Maria), Ansel Elgort (Tony), Ariana DeBose (Anita) e David Alvarez (Bernardo), o novo filme de Steve Spielberg conta com uma das atrizes da celebrada adaptação para cinema de 1961: Rita Moreno.

Agora com 89 anos, a atriz porto-riquenha interpreta Valentina no novo filme, depois de ter sido Anita na adaptação realizada por Jerome Robbins e Robert Wise, há sessenta anos.

“Gostava de voltar a ser tão nova e fazer tudo outra vez”, gracejou a atriz, na conferência de imprensa. “Mas isso não podia ser, e recebi este papel escrito de forma maravilhosa”, continuou. “Gosto muito de mim neste filme. Adoro cada cena que filmei”.

Louvado pela crítica, a exibição antecipada do filme nos estúdios da Fox, em Los Angeles, foi recebida com muitos aplausos e uma ovação final, antecipando uma receção calorosa do público no regresso às salas de cinema.

Uma das particularidades mais elogiadas neste novo “West Side Story” é que, quando os personagens falam espanhol entre si, em vez de inglês, não há legendas para a audiência anglófona.

“Foi por respeito que não fizemos legendas”, explicou Tony Kushner. “Essa língua tinha de existir em proporções iguais ao lado do inglês, sem ajuda”. Para o argumentista, a questão é importante porque a espinha dorsal da história é o racismo e há uma insistência para que os personagens porto-riquenhos falem inglês.

“Sentimos que havia certos temas e sentimentos em que seria muito natural para alguém que nasceu a falar espanhol reverter para o espanhol”, continuou. “Espero que as pessoas que não falam espanhol e vejam o filme voltem com alguém que o fala. Porque somos um país bilingue, e isto é um filme para um país bilingue”.

Kushner e Spielberg também explicaram porque é que decidiram manter a ação nos anos cinquenta, com uma história de amor proibida e a luta entre os gangues Jets e Sharks em pano de fundo, em vez de atualizarem a história para o século XXI.

“Não há nada fora de prazo nas músicas, são intemporais”, disse Kushner. “Cada vez que ouvimos estas músicas é como se estivesse a acontecer agora. Não são antiquadas”.

No entanto, as letras têm uma certa gíria de 1957 e “teria parecido estranho estas canções serem justapostas em 2021”, considerou.

Por outro lado, disse Steven Spielberg, a Nova Iorque de então ainda existe em certos bairros. “Pode-se encontrar a cidade de Nova Iorque dos anos cinquenta bem viva em Brooklyn, Queens, no Bronx”, salientou.

A única coisa que os cineastas tiveram de fazer digitalmente foi remover as unidades de ar condicionado do exterior dos edifícios, assim como os pratos de televisão por satélite e as barras de segurança nas janelas. “Tudo o resto é autêntico em relação àquele período”, clarificou Spielberg.

O realizador salientou que, mais que uma luta de gangues por território, o filme retrata uma luta de raças. E que parte da tragédia é que esse território por que dizem lutar “está sob a sombra de uma bola de demolição”, porque aqueles bairros iam ser destruídos para dar lugar ao Lincoln Center for the Performing Arts.

“Há um nível de pobreza urbana”, disse Tony Kushner. “Ambos respondemos a esta ideia de que a tragédia dá-se num lugar que está a desaparecer por debaixo dos pés das pessoas que estão a lutar”.

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