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Sozinhas contra o fogo e a tempestade: Mãe e filha lutaram para salvar a casa em Oliveira do Hospital: “Foi rezar”
O Notícias de Coimbra esteve na Quinta dos Palheiros, em Avô. Estivemos com Lucinda Augusto, de 76 anos, e filha Ana Augusto.
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O relato de ambas é de resistência e sofrimento, onde mãe e filha enfrentaram, sozinhas, incêndios e tempestades, para protegerem a sua casa e os animais sem qualquer ajuda externa.
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Lucinda recorda o fatídico dia 15 de agosto de 2025: “Foi péssimo. O fogo veio de cima para baixo […] Foi rezar”. Sem bombeiros por perto, Ana pegou nas mangueiras e, com a ajuda da mãe, tentou salvar a habitação e os bens. “Enquanto tivemos água do furo, foi uma beleza. A mangueira trabalhou por dentro de casa, conforme ela ia, assim corria por todos os lados”, conta Lucinda.
Apesar da proximidade das chamas, mãe e filha mantiveram-se firmes. “Não saímos. Abri os braços e disse que não saía. Que não iria abandonar”, relembra Ana.
A tragédia não terminou com o incêndio. Recentemente, a tempestade Kristin destruiu por completo o telhado da habitação. “Arrancou por completo… até hoje ainda não vi ajuda de ninguém. Só queria uma ajuda para o telhado, mais nada”, lamenta Lucinda. A falta de seguro agrava a situação: “Diz que não cobra. E o pouquinho que tinha, arranjei janelas antes da tempestade.”
Mãe e filha vivem atualmente isoladas, acessíveis apenas através de dois quilómetros de estrada de terra batida. Com uma reforma de apenas 300 euros, Lucinda depende da filha e da ajuda mínima do Estado para sobreviver. “É um amor de filha. Ela nunca quis sair de casa, porque era dela e queria estar comigo”, refere Lucinda, emocionada.
Apesar de todas as dificuldades, a família mantém a esperança. “É um dia de cada vez. Com a ajuda do Senhor, vamos indo. Pode ser que alguém nos ajude”, conclui Lucinda.
O caso evidencia a vulnerabilidade de populações isoladas perante desastres naturais, e a necessidade urgente de apoio estrutural e humano, mesmo em zonas do interior.
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