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Soure em choque: Idoso perde património após casamento secreto com mulher 26 anos mais nova

Notícias de Coimbra | 45 minutos atrás em 14-02-2026

Imagem: SIC

Manuel Parreirão, um idoso de 89 anos residente em Soure, viveu um verdadeiro pesadelo após um casamento secreto realizado durante o confinamento da pandemia de covid-19.

O matrimónio, celebrado em maio de 2020 com Maria Alice, 26 anos mais nova, passou despercebido aos filhos do idoso, que só vieram a descobrir a união meses depois.

O casamento foi realizado na conservatória da Figueira da Foz, a mais de 30 km de Soure, apesar de Manuel morar a poucos minutos da conservatória local. Carlos, filho de Manuel, soube da união pela irmã e decidiu visitar o pai. Quando o encontrou, a situação era alarmante: Manuel estava sozinho, em más condições, rodeado de gatos e dejetos, e não conseguia reconhecer os filhos devido à demência avançada. “Vi o meu pai semi deitado no sofá da sala e só depois percebi que não nos reconhecia. Estava completamente desorientado”, relatou Carlos à SIC.

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Após obter autorização judicial, os filhos de Manuel tiveram acesso às suas contas bancárias, onde descobriram levantamentos contínuos, entre 200 e 400 euros, que reduziram o saldo de 50 mil para apenas 9 mil euros em um ano. Também foram identificados débitos diretos em nome de terceiros.

Para além disso, Manuel possuía várias propriedades em Soure, Amadora e Lagos, no Algarve. No entanto, pouco tempo após o casamento, os imóveis começaram a ser vendidos, incluindo um apartamento na Amadora, que foi colocado no mercado através de uma imobiliária localizada em frente ao prédio. Manuel nunca recebeu qualquer valor por essas vendas.

A investigação da SIC revelou que, para contornar a lei e transferir um imóvel de três andares e piscina para a mulher com quem casou em segredo, a advogada Sara Ramalho Pereira terá sugerido a dação em cumprimento da propriedade. A estratégia consistia em simular uma dívida de Manuel para com Maria Alice, já num estágio avançado de demência. A advogada foi a responsável pela assinatura do Documento Particular Autenticado, que facilitou a transação.

Em consequência, o Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados suspendeu a cédula profissional de Sara Ramalho Pereira, acusada de envolvimento na burla que lesou o património de Manuel.