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Sol de pouca dura: Chuva pode regressar em força já no final do mês

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 17-02-2026

Imagem: Pexels

Numa altura em que Portugal ainda recupera das cheias registadas nas últimas semanas, os modelos meteorológicos confirmam o regresso temporário do anticiclone.

No entanto, esta estabilidade deverá ser breve. As mais recentes projeções apontam para um novo aumento significativo da probabilidade de chuva no final de fevereiro e início de março.

O anticiclone deverá instalar-se por um período de apenas 3 a 4 dias, entre 19/20 e 23/24 de fevereiro, proporcionando uma pausa na precipitação. Contudo, os sinais atmosféricos indicam que o Atlântico poderá voltar rapidamente a um regime mais ciclónico.

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A probabilidade de precipitação, que anteriormente era estimada em apenas 10 a 20% para os dias 25 a 28 de fevereiro, subiu agora para cerca de 75%, segundo o ensemble do modelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF).

Outros modelos, incluindo o AIFS (baseado em inteligência artificial) e o Graphcast, também apontam para o regresso da chuva. Quando modelos físicos e modelos baseados em padrões atmosféricos/IA convergem na mesma solução, a confiança na previsão aumenta consideravelmente.

Para já, não há indicação de um cenário tão extremo quanto o registado no início do mês. Nessa altura, um bloqueio atmosférico em latitudes altas criou um padrão muito favorável a precipitações persistentes e intensas, com um verdadeiro “comboio de depressões” a atravessar o país. Algumas regiões acumularam 3 a 4 vezes a precipitação normal de fevereiro em apenas 15 dias.

Ainda assim, importa sublinhar que, no contexto atual — com solos saturados e rios ainda elevados — não é necessária precipitação extrema para gerar novos problemas, escreve a Luso Meteo.

As médias dos ensembles até 3/4 de março não indicam, para já, acumulados excessivos. No entanto, a incerteza mantém-se elevada.

Três fatores principais estão a influenciar esta possível viragem no padrão atmosférico. O vórtice polar encontra-se atualmente enfraquecido, o que tem permitido um jato polar mais ondulado e uma maior estabilidade temporária.

Porém, prevê-se uma reorganização após os dias 25-27 de fevereiro. Dependendo da sua posição, mais próximo da Gronelândia/Canadá → maior risco de chuva generalizada e intensa. Mais centrado → precipitação mais dentro da normalidade, sobretudo no Norte. Deslocado para a Sibéria (cenário menos provável) → maior probabilidade de entrada fria.

Um aumento do momento angular atmosférico tende a intensificar o jato polar de oeste para leste. Este padrão costuma favorecer ciclogéneses no Atlântico e episódios de chuva mais organizada em Portugal.

As fases 4 a 6 da MJO, com convecção tropical concentrada entre o Índico e o Pacífico Ocidental, tendem a favorecer cavamento de depressões no Atlântico. A conjugação deste fator com um vórtice polar reorganizado pode criar um “setup” propício a precipitações mais frequentes e abrangentes.

Há poucos dias, o modelo IFS do ECMWF apontava para temperaturas até 26 °C no dia 27 de fevereiro. Agora, indica tempo mais fresco e chuvoso. Esta oscilação demonstra bem a dificuldade dos modelos em antecipar transições atmosféricas complexas, especialmente quando envolvem interações entre o vórtice polar, o jato e padrões tropicais.

A chuva deverá regressar após a breve pausa anticiclónica. É praticamente certo que volte a chover no final de fevereiro e início de março.

Embora, para já, não haja sinais claros de um evento extremo como o do início do mês, existe um risco moderado de precipitação persistente e, localmente, intensa. Num contexto de solos saturados, mesmo chuva dentro da média pode causar transtornos.

A evolução dependerá sobretudo da reorganização do vórtice polar e da orientação do jato nas próximas semanas. A situação será acompanhada diariamente.