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“Sofia, Meu Amor!” estreia hoje em Coimbra. Convida a abrandar a marcha na Rua da Sofia para tornar visíveis “pequenos cacos de vida”

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 O espetáculo “Sofia, Meu Amor!” estreia hoje em Coimbra, num percurso que convida a abrandar a marcha na Rua da Sofia para tornar visíveis “pequenos cacos de vida” de uma zona que por vezes parece “invisível” aos próprios habitantes da cidade.

A Rua da Sofia, criada no século XVI à imagem de Sorbonne, em Paris, larga e reta, ao contrário das pequenas ruelas da Baixa e Alta de Coimbra, faz parte da classificação de Coimbra como Património da Humanidade, mas surge muitas vezes como “o parente pobre” do edificado, notou Pedro Lamas, um dos diretores criativos do espetáculo, criado no âmbito do projeto Rede Artéria.

Esta rua é vista em Coimbra como um local de passagem, onde “as fachadas elevadas funcionam como muralhas e imprimem um ritmo e um foco muito objetivo de marcha na própria rua”, constatou o também ator da Trincheira Teatro, jovem companhia de Coimbra.

Durante o processo de criação da peça, alicerçada num diálogo profundo com os habitantes e comerciantes que por ali se encontram, os atores da Trincheira descobriram que, abrandando a marcha que a Rua da Sofia imprime, se encontram outros focos, outra vida, outras histórias “que não fazem parte do caminho oficial” daquela estrada.
O espetáculo, que junta 38 atores profissionais e alunos de teatro, surge então como um convite para recuperar “alguma humanidade neste Património da Humanidade”, dando rostos e vida ao edificado.

Na peça que estreia hoje, às 18:00, e que se repete no domingo, às 15:00 e às 18:30, as pessoas que vivem e trabalham naquela rua também vão participar, não “para fazer número”, mas fazendo de si próprias, mesclando-se o real e o ficcional, explanou o responsável.

Também as histórias que foram recolhendo durante o processo de criação não estão plasmadas em cena de forma direta, surgindo nos diferentes quadros do espetáculo como “pequenos estilhaços, pequenos cacos de vida”, seja o som de um molho de chaves ou uma avó a dar com o chinelo ao neto, referiu.

“Isto só foi possível porque a comunidade daqui entrou num diálogo connosco”, salientou Pedro Lamas, considerando que o trabalho não se centra numa perspetiva museológica daquela Rua, mas antes uma reflexão em torno da vida existente naquele património.

Num espetáculo sem narrativa linear e onde toda a gente anda “à procura de uma Sofia” – seja ela uma mulher, uma rua ou uma ideia -, surge uma provocação sobre a rua e sobre o mundo.
“Falta-nos olhar. Falta-nos olhar para fora de nós”, vincou Pedro Lamas.

Depois da apresentação do espetáculo em Coimbra, segue-se uma circulação por três dos outros sete municípios da região Centro envolvidos no projeto Rede Artéria, coordenado pela companhia O Teatrão e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

“Sofia, Meu Amor!” é depois apresentado a 07 de julho na Guarda, a 15 em Ourém e a 22 em Belmonte.
No âmbito do Rede Artéria, estão ainda previstas para este ano as estreias de espetáculos em Ourém, Fundão, Figueira da Foz e Guarda, que são depois apresentados noutros municípios da rede, em que a palavra-chave é a colaboração e o diálogo.

“É um projeto diferente das redes habituais, porque contém uma prática de trabalho diferente”, que junta poder local, agentes culturais e academias (politécnicos e universidades) num trabalho de criação e circulação artística, explanou a diretora do Teatrão, Isabel Craveiro.

Depois de mapeados os agentes culturais, foram desenhados e pensados projetos específicos para cada um dos concelhos envolvidos que podem assumir diferentes formas e linguagens como um espetáculo itinerante de teatro, dança ou um festival.

“A prática próxima, intensa, de colaboração entre as pessoas é uma marca que o Artéria quer afirmar”, vincou Isabel Craveiro.

Nesta rede, Astro Fingido, Circolando, Marina Nabais, Filipa Francisco, Graeme Pulleyn, Teatro Experimental do Porto e Trincheira Teatro são as estruturas e artistas convidados a trabalhar sobre os contextos de cada um dos locais abrangidos (Belmonte, Coimbra, Figueira da Foz, Fundão, Guarda, Ourém, Tábua e Viseu).
A entrada em todos os espetáculos do projeto é gratuita, estando sujeita a reserva.

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