Coimbra

Socialistas de Mira dizem que projeto Lusiaves é uma ameaça para a saúde pública e exige referendo municipal

Notícias de Coimbra | 6 anos atrás em 17-09-2018

“Para nós, a estratégia de desenvolvimento sustentável do nosso concelho assenta na qualidade ambiental e numa aposta mais séria e efetiva no turismo. Não somos contra o investimento empresarial, bem pelo contrário, no entanto existem áreas empresariais que são totalmente incompatíveis com o que pretendemos para o nosso território e esta é, claramente, uma delas”, diz a estrutura local do Partido Socialista, em nota enviada à Lusa.

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Em causa está o chamado “projeto Lusiaves”, anunciado investimento de mais de uma dezena de milhões de euros que passa pela construção de um “mega-aviário” da empresa Lusiaves em terrenos situados na freguesia do Seixo, num local onde em tempos se ergueram as famosas estufas do empresário francês Thierry Roussel (marido da multimilionária Christina Onassis).

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Os 200 hectares de terrenos situados na zona dos Foros, a caminho da praia do Poço da Cruz, foram desafetados no final de 2017 pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. O processo de licenciamento da exploração agropecuária, que promete criar mais de 300 postos de trabalho, está condicionado pelos limites da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Reserva Agrícola Nacional (RAN), além dos necessários estudos de impacto ambiental numa zona de areias e mata.

A Câmara Municipal de Mira (distrito de Coimbra) promoveu durante o mês de agosto uma sessão de esclarecimento, no Seixo, para apresentação do projeto à população. Na sua sequência foi lançado um abaixo-assinado contra a instalação da exploração agropecuária.

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O PS de Mira rejeita a instalação da fábrica da Lusiaves, invocando motivos ambientais e de saúde pública. Os socialistas são especialmente críticos do presidente da câmara, o social-democrata Raul Almeida, acusando-o de ter “uma postura pouco transparente” nesta matéria.

“Em momento algum [Raul Almeida] afirma, claramente, ser a favor da instalação desta unidade: nem no seu programa eleitoral, nem em reuniões públicas, nem sequer na sessão realizada no Seixo. Porém, procurou os investidores, ofereceu-lhes ótimas condições (requisitos que nunca propôs aos empresários locais), continua a tentar desbloquear todo o processo permitindo este investimento”, acusa o PS.

As principais objeções dos socialistas têm a ver com a possível contaminação dos cursos de água na zona de Foros, atravessada por diversas valas com ligação à Lagoa de Mira e à Barrinha. Por outro lado, invocam estudos que apontam para o crescimento súbito de doenças, sobretudo respiratórias, em áreas onde existem explorações agropecuárias do mesmo género.

“A instalação desta estrutura, numa zona tão sensível, não afetará apenas o nosso (já tão degradado) sistema hídrico, mas terá um grande impacto na saúde pública. Todas as atividades turísticas, desportivas e lúdicas serão ameaçadas. A manutenção da Bandeira Azul poderá ser posta em causa”, argumentam os socialistas.

O PS de Mira avisa que “a vida económica é importante, mas tal argumento não pode sobrepor-se à saúde pública, à vida, à sobrevivência e dignidade duma terra e das suas gentes” e por isso propõe a rejeição imediata do investimento.

“Caso o PSD continue a pretender impor o projeto (contra a vontade da população), em alternativa, propomos um referendo municipal e rejeitamos incondicionalmente esta forma de atuar da atual Câmara”, concluem.

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