Opinião

SMTUC o elefante no meio da sala

OPINIÃO | Angel Machado | 3 meses atrás em 26-11-2025

Li, recentemente, um artigo sobre as “paragens de autocarro”. Não que falte literatura sobre o tema, o que falta mesmo é solução. Como utilizadora diária dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), em Coimbra, começo a achar que sou apenas teimosa.

Ainda acalento a esperança de ver um sistema de transportes que funcione para quem dele precisa, não apenas para encher relatórios ou campanhas.

Há quem use o autocarro por convicções ambientais ou pela fantasia urbana de uma cidade com menos carros; esses são os passageiros idealistas. Depois estamos nós, os mortais comuns, que só queremos chegar ao destino sem dramas.

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E a verdade é simples: quando tudo funciona, ninguém abre a boca; quando corre mal, só reclamam os que dependem do serviço. Quem nunca pôs um pé dentro de um autocarro acha sempre que exageramos; essa é a vantagem de falar sobre aquilo que não se conhece.

As paragens são pequenas e, quando chove ou faz frio, não protegem — com sol acontece o mesmo.

Alguns painéis eletrónicos que indicam os horários dos autocarros estão avariados muito antes das eleições. Constava que seria algo “temporário”, mas em Coimbra, aparentemente, nada dura mais do que uma avaria temporária. E o célebre “cartão amarelo”? Não permite usar duas senhas no mesmo autocarro, talvez para nos lembrar que a tecnologia também tem limites, sobretudo quando não funciona a favor
do passageiro.

Voltemos à questão: reclamar por quê? O transporte público em Coimbra arrasta-se há tanto tempo que quase ganhou estatuto de tradição local. Quando há motoristas, não há autocarros; quando há autocarros, desaparecem os motoristas. Um equilíbrio perfeito — para as greves.

Na prática, é apenas mais uma prova de que os esforços continuam muito aquém do necessário para resolver problemas que já nem se podem chamar crónicos: são endémicos.

A frota em necessidade de manutenção supera a dos veículos novos, e isso sente-se em todas as linhas. Para exemplo, basta olhar para as linhas 4 (Portagem) e 103 (Universidade), que em pleno horário de ponta circularam durante dias com miniautocarros elétricos. A explicação: “Não havia modelos maiores ou motoristas disponíveis.

Resultado previsível: passageiros comprimidos como sardinhas e outros tantos abandonados no passeio à espera do próximo, que talvez passe, talvez não.

No fundo, o SMTUC parece ter-se tornado o “problema de estimação” de sucessivos presidentes da Câmara. Aquela espécie de mascote incómoda que ninguém quer assumir totalmente, mas também ninguém resolve. E enquanto o serviço continuar neste estado, dificilmente se convencerá um único automobilista sensato a largar o carro e aventurar-se no fascinante mundo do transporte público em Coimbra.