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Coimbra

Sindicatos dizem que ajudas anunciadas aos trabalhadores da Navigator são “pura ficção”

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A Fetese – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços defende que os apoios anunciados pela Navigator aos trabalhadores são “pura ficção”, segundo um comunicado hoje divulgado.

“Os sucessivos comunicados de imprensa que vieram a público nos últimos dias surpreenderam o secretariado da Fetese. Não pelos números apresentados ou pelo cenário económico positivo no conjunto do ano, apesar da pandemia, mas pelo teor das afirmações públicas que levam o público em geral a acreditar numa ajuda aos trabalhadores do grupo. Tal ajuda é apenas ficção”, acusa a entidade.

No dia 27 de outubro, a empresa, que atua no segmento do papel, anunciou que vai gastar 10 milhões de euros num pacote de benefícios aos colaboradores para os apoiar no “período difícil que a economia atravessa, reconhecendo o esforço comum e o desempenho durante a pandemia”. 

O pacote de benefícios, no montante agregado de cerca de 10 milhões de euros, passa pela antecipação do pagamento do subsídio de Natal a todos os seus trabalhadores, das férias não gozadas e das folgas acumuladas a 31 de dezembro de 2019, e ainda de uma gratificação extraordinária, adiantou o grupo.

A Fetese, por sua vez, acusa a empresa de querer “silenciar os parceiros sociais e trabalhadores do grupo, antecedendo a distribuição de dividendos aos seus acionistas em cerca de 100 milhões de euros sem contestação”.

Na mesma nota, a Federação, afeta à UGT, indicou que os sindicatos que a compõem “enviaram uma proposta negocial nos primeiros dias de janeiro de 2020, mas, até hoje, a Navigator nunca respondeu”.

“A Fetese deu à empresa o tempo de resposta necessário para além do previsto na legislação, devido ao grau de incerteza que se adensou com a evolução da pandemia no primeiro semestre, e esperou novamente depois da aplicação do ‘lay-off’ nos meses de junho e julho”, disse a organização, indicando ainda que “esperou por condições de negociação apesar da ausência de explicações da empresa”.

A Federação garante ainda que “o contrário do que é afirmado, os trabalhadores da Navigator, em 2020, ainda não viram qualquer atualização no salário, nem em nenhuma outra clausula pecuniária do AE [Acordo de Empresa]; não houve lugar ao pagamento do prémio de desempenho e não obteve nenhuma resposta à proposta” formulada pela entidade.

“Em bom rigor, o cenário que está a ser preparado internamente é o oposto da imagem publicada na imprensa”, alerta a estrutura, acrescentando que “ainda sem aumentos salariais em 2020 e sem pagamentos de prémios, os trabalhadores dos vários ‘sites’ do grupo Navigator (Setúbal, Aveiro, Figueira da Foz e Vila Velha de Ródão) viram ser-lhes suprimidos dias de férias e dias de folga em troca do pagamento integral do salário, mesmo em meses em que não foi aplicado o ‘lay-off’”, acusa a Federação.

Diz ainda a Fesete que durante este ano, “os trabalhadores da Navigator esperaram, sem sucesso, por uma solução de enquadramento profissional face ao plano de carreiras em vigor na empresa e desesperam pelo pagamento da retroatividade devida pelo incumprimento”, garantindo que “existem casos em tribunal que reclamam esses créditos”.

A estrutura sindical considera o comportamento do grupo “inaceitável” e “exige um rápido regresso à mesa das negociações e uma resposta à proposta formulada no início do ano”.

“Os resultados económicos do 3.º trimestre, com os quais se pretende justificar a distribuição de 100 milhões aos acionistas, deverão também servir para atualizar os salários dos trabalhadores. Seria incompreensível se assim não fosse”, remata a entidade.

Na mesma nota do dia 27 de outubro, a Navigator sublinhou que os novos benefícios anunciados se juntam às medidas implementadas com efeitos em janeiro deste ano, das quais destaca um aumento intercalar anual de 2,5% aplicado a técnicos operacionais posicionados nos níveis mais baixos da estrutura de remunerações, um programa de promoções e progressões e um programa de mérito para quadros.

Além destes benefícios sociais, a empresa de pasta e de papel garante que distribui todos os anos cerca de 25 milhões de euros, referentes a seguro de saúde, seguro de vida, fundo de pensões, subsídio de infantário, subsídio de livros escolares, bolsas de estudo, subsídio para filhos portadores de deficiência, cantina e formação. 

No dia 30 de outubro, o grupo convocou uma assembleia-geral extraordinária, para 24 de novembro, que terá como ponto único da ordem de trabalhos deliberar sobre a distribuição de 99 milhões de euros de resultados transitados (dividendos).

 

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