O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) lamentou hoje que “o país não tenha conseguido dar uma resposta melhor” ao caso de um utente do Seixal que morreu após ter estado três horas à espera de socorro.
“Lamento profundamente, enquanto funcionário público, enquanto profissional de saúde, enquanto cidadão, que o país não tenha conseguido dar uma resposta melhor, nem em Pombal [durante a greve], nem ontem [terça-feira], em Almada”, disse o presidente do STEPH, Rui Lázaro, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a paralisação e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
No caso de Pombal, o dirigente sindical explicou que conhece a situação e o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) que considerou, em junho de 2025, que a morte do homem, de 53 anos, quando decorreu a greve do INEM, poderia ter sido evitada se este tivesse sido socorrido num tempo mínimo e razoável.
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Sobre o caso do homem de 78 anos que morreu na segunda-feira no Seixal, no distrito de Setúbal, depois de ter esperado cerca de três horas por socorro do INEM, Rui Lázaro disse que a unidade local de saúde Almada-Seixal “não dispõe de ambulâncias”.
“São do INEM ou dos parceiros dos bombeiros e da Cruz Vermelha. […] De facto tem existido a retenção de ambulâncias em vários hospitais, incluindo o de Almada-Seixal, pela indisponibilidade de o hospital em libertar macas”, referiu.
Rui Lázaro sublinhou que os doentes “permanecem nas macas das ambulâncias” uma vez que as unidades hospitalares “não têm local” para os colocar.
A IGAS abriu hoje um inquérito ao caso do homem que morreu no Seixal.
Em resposta à Lusa, a IGAS explicou que o inquérito irá “investigar a qualidade do serviço na perspetiva da prontidão, designadamente por parte do INEM”.
Na terça-feira, um homem de 78 anos morreu depois de ter estado cerca de três horas à espera de socorro do INEM, apesar de ter sido classificado como prioridade 3 (resposta em 60 minutos).
Segundo a fita do tempo do caso, a que a Lusa teve acesso, a chamada foi recebida pelas 11:23 e apenas pelas 12:48 foi registado que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha ambulância e que as ambulâncias de Almada e Seixal estavam ocupadas. A viatura médica só foi enviada pelas 14:09
Hoje, em conferência de imprensa, o presidente do INEM atribuiu a culpa à retenção de macas nos hospitais, explicando que a procura de meios começou logo 15 minutos após a chamada ter sido recebida, mas não havia ambulâncias disponíveis.
A CPI ao INEM iniciou hoje as audições com o depoimento presencial do presidente do STEPH para apurar eventuais falhas no serviço.
Na quinta-feira, será a vez de o coordenador da comissão de trabalhadores do INEM prestar declarações no parlamento.
As audições vão decorrer às quartas e quintas-feiras a partir das 17:00 e após o plenário.
O trabalho da CPI envolve cerca de 90 entidades e personalidades convidadas, muitas das quais apresentarão contributos por escrito.
A CPI foi aprovada em julho por proposta da Iniciativa Liberal. É composta por 24 deputados e tem 90 dias para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM.
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