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Sindicato denuncia atrasos na avaliação de enfermeiros no centro hospitalar de Coimbra

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O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) denunciou hoje a existência de centenas de enfermeiros no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que aguardam pela conclusão do processo de avaliação para subirem na carreira.

“Grande número destes profissionais encontra-se no primeiro patamar da carreira e esta será a primeira promoção em duas décadas, ou mais, de trabalho”, revela a estrutura sindical, referindo que, em condições normais e de acordo com o sucedido noutros anos, os enfermeiros teriam recebido o novo ordenado em abril de 2021, com retroativos desde janeiro.

Em comunicado, o Sindepor refere que, numa reunião, em julho, do sindicato com a enfermeira diretora e o responsável de recursos humanos do CHUC, “foi adiantado que a situação ficaria resolvida em setembro, no entanto, 2021 já terminou e o problema mantém-se”.

“Existem enfermeiros que trabalham há mais de 20 anos no CHUC – é o caso de João Costa e Marta Soares – que ainda se encontram no primeiro escalão remuneratório da carreira de enfermagem”, denuncia o sindicato.

De acordo com o comunicado, o enfermeiro João Costa, que trabalha há 23 anos no CHUC, “já sabe que terá direito a dois pontos na avaliação 2019-2020, suficientes para amealhar os 10 pontos necessários para, pela primeira vez na sua vida de enfermeiro, subir de escalão remuneratório”.

“No entanto, ainda não pode usufruir desse acréscimo de remuneração porque o processo avaliativo não foi concluído”, lê-se na nota.

O Sindepor lamenta que o Ministério da Saúde tenha definido como prioridade pagar dívidas aos fornecedores externos, “relegando para segundo plano milhares de enfermeiros que, por todo o país, nos mais diversos estabelecimentos de saúde, aguardam a conclusão da avaliação, que lhes daria pontos suficientes para subirem de escalão remuneratório”.

O comunicado lembra que o CHUC foi a unidade hospitalar que recentemente mais recebeu de reforço para pagar dívida a fornecedores externos – “50,7 milhões de euros – num total de 630 milhões que o Ministério da Saúde distribuiu para este efeito por todos os hospitais do país”.

“Está tudo dito sobre as prioridades deste Governo de péssima memória para os enfermeiros. Alguém acredita num primeiro-ministro que na mensagem de Natal elogia os enfermeiros e depois lhes faz isto?”, questiona o presidente do sindicato, Carlos Ramalho, citado no comunicado.

Salientando que o secretário-geral do PS fala em “valorizar as carreiras dos enfermeiros, designadamente através da reposição dos pontos perdidos aquando da entrada na nova carreira de enfermagem”, o dirigente sindical considera as afirmações “de uma hipocrisia enorme, quando olhamos para aquilo que deliberadamente não fizeram enquanto foram Governo”.

O presidente do Sindepor garante que “não está em causa o pagamento da dívida aos fornecedores, alguns também com atrasos de anos”, mas realça que a espera dos enfermeiros “tem décadas e por isso devia ser tratada com maior decência”.

Segundo o sindicato, um enfermeiro na primeira posição remuneratória “se não fizer turnos ou horas extras, se não abdicar dos períodos de descanso e dias de folga, fazendo turnos extraordinários e muitas vezes noturnos até à exaustão em todos os dias da semana, recebe um ordenado inferior a mil euros”.

“Ao mesmo tempo, o PS propõe um ordenado mínimo nacional de 900 euros dentro de quatro anos”, enfatiza Carlos Ramalho, sublinhando que este valor “diz bastante sobre a injustiça a que os enfermeiros estão sujeitos, apesar da sua formação superior e do contributo para a sociedade aclamado pelos portugueses”.

O CHUC agrega os hospitais da Universidade de Coimbra e Geral (vulgarmente conhecido por Hospital dos Covões), as maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, o Hospital Pediátrico e o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra.

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