Uma nova análise científica propõe que os olhos como os que conhecemos hoje podem ter começado como um único olho situado no topo da cabeça de um antepassado muito antigo dos vertebrados.
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De acordo com investigadores das Universidades de Sussex e de Lund, a nossa visão evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos a partir de um animal semelhante a uma minhoca que vivia nos oceanos há cerca de 600 milhões de anos, pode ler-se na Science Alert.
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Os cientistas analisaram 36 grupos principais de animais com simetria bilateral — isto é, animais cujos corpos têm lados esquerdo e direito semelhantes — para descobrir onde estão localizadas as células que detectam luz nesses organismos e o papel que desempenham.
Descobriram um padrão: existem células sensíveis à luz em dois locais — em pares nas laterais da cabeça e também numa posição única no centro do topo da cabeça. Nas espécies que hoje têm olhos laterais, essas células ajudam a orientar o movimento e a perceção visual. Já as células no topo do crânio parecem estar ligadas a funções mais simples, como distinguir entre dia e noite e perceber onde está “cima” e “baixo”.
Os investigadores propõem que o ancestral dos vertebrados perdeu temporariamente os olhos laterais quando viveu enterrado no fundo do mar, onde estes órgãos deixaram de ser vantajosos. O único olho remanescente, no topo da cabeça, teria servido para detectar luz ambiente.
Mais tarde, quando esse antepassado voltou a uma vida mais ativa a nadar, foi «forçado» pela evolução a reformar olhos laterais, formando gradualmente novos órgãos visuais mais complexos a partir do pequeno olho central.
Esta hipótese sugere que os olhos — e até partes do cérebro associadas à visão — podem ter raízes muito mais antigas e distintas do que se pensava. A estrutura altamente complexa dos nossos olhos (com mais de 100 tipos diferentes de neurónios na retina) pode ter começado ainda no “olho único” do ancestral pré-histórico e só depois se ter refinado no par de olhos que temos atualmente.
Além disso, partes do ancestral olho médio podem ter evoluído para outras estruturas cerebrais modernas, como a glândula pineal, que participa no ciclo sono‑vigília através da produção de melatonina.
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