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Sim, este é o felino mais mortal do mundo

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 10-02-2026

Um estudo recente sobre o gato‑bravo‑de‑patas‑pretas (Felis nigripes), um dos felídeos mais pequenos e pouco conhecidos de África, revelou que esta espécie vulnerável depende fortemente das tocas escavadas por roedores e outros animais para se proteger durante o dia e criar as suas crias.

Nativo das regiões semi‑áridas da África do Sul, Namíbia e Botsuana, o gato‑bravo‑de‑patas‑pretas pesa apenas cerca de 1,5 a 3 kg e é extremamente difícil de observar na natureza devido ao seu estilo de vida nocturno e reservado.

Os investigadores descobriram que, ao contrário de outros felinos, estes pequenos gatos raramente escavam as suas próprias tocas. Em vez disso, passam os períodos de descanso diurno em buracos previamente escavados por outros animais, como o springhare (Pedetes capensis), um roedor que constrói complexos sistemas de túneis subterrâneos, assim como tocas deixadas por outros mamíferos.

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Durante um estudo de campo na Namíbia, os cientistas colocaram colares com rastreadores em várias fêmeas do felino e registaram onde elas se abrigavam ao longo do dia. A grande maioria das tocas utilizadas correspondia às dimensões das escavadas pelo springhare — com aberturas médias de cerca de 15 cm — sugerindo uma forte preferência e dependência destes refúgios já criados no solo.

Ao usar tocas alheias, os gatos conseguem escapar ao calor intenso, evitar predadores e manter‑se seguros enquanto descansam até à noite, quando saem para caçar roedores, aves e outros pequenos animais.

Durante o estudo, cada gato utilizou uma média de 11 tocas diferentes em quatro semanas, passando usualmente poucos dias em cada refúgio antes de se deslocar para outro. Nas fêmeas com crias, as tocas eram utilizadas por mais tempo, refletindo a necessidade de espaços seguros para proteger os jovens.

O gato‑bravo‑de‑patas‑pretas está classificado como vulnerável pela IUCN, com populações fragmentadas e pouco numerosas. A sua dependência de buracos escavados por outras espécies torna‑o particularmente sensível às alterações no ecossistema que reduzam as populações de roedores ou outros escavadores essenciais.

Especialistas alertam que preservar as espécies que criam tocas e o seu habitat natural é crucial para garantir a sobrevivência deste felino singular nas planícies áridas do sul de África.