A tolerância à deslealdade fragiliza o Partido Socialista e mina a confiança
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Num tempo em que os cidadãos exigem mais da política, há uma verdade que não pode ser ignorada: não há credibilidade externa sem coerência interna. E não há coerência quando as regras não são iguais para todos.
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O Partido Socialista construiu-se sobre valores claros: igualdade, lealdade, solidariedade e sentido coletivo. Mas esses valores não se proclamam apenas em discursos. Ou se praticam, ou perdem sentido.
A igualdade que defendemos para a sociedade tem de começar dentro do partido. Sem exceções. Sem zonas cinzentas. Sem conveniências.
Quando há dois critérios para situações idênticas, não estamos perante diversidade, estamos perante injustiça.
E a injustiça interna corrói qualquer autoridade política.
O Partido Socialista tem de decidir o que quer ser: uma estrutura exigente, coerente e respeitada, ou um espaço onde a disciplina depende de circunstâncias e de quem está em causa.
Porque os sinais contam.
Na União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, assistiu-se, nas últimas eleições, a apoios a movimentos independentes que traíram o projeto do Partido Socialista e fragilizaram a sua afirmação política.
E, perante isto, a ausência de uma resposta clara é, por si só, uma escolha política.
Quando o Partido não atua, legitima.
Quando não sanciona, permite.
Quando ignora, normaliza.
E o problema deixa de ser local, passa a ser estrutural.
A disciplina partidária não pode ser um instrumento seletivo. Não pode ser aplicada com rigor para uns e tolerância para outros. Isso não é gestão política é fragilidade.
E a fragilidade paga-se caro.
Não podemos pedir confiança aos portugueses enquanto fechamos os olhos a comportamentos que minam o partido por dentro. Não podemos falar de unidade nacional quando não conseguimos garantir unidade interna. E não podemos exigir responsabilidade política se não a praticamos nos momentos difíceis.
Os eleitores não são ingénuos. Percebem incoerências, percebem silêncios e penalizam-nos por isso.
Os valores fundadores do Partido Socialista não são opcionais. São a base da sua existência.
Como lembrou José Saramago, “somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos”. E hoje, a responsabilidade exige ação, não ambiguidade.
O Partido Socialista não pode continuar a adiar decisões difíceis. Cada adiamento enfraquece a sua autoridade. Cada silêncio corrói a sua credibilidade.
Ser coerente não é uma opção estratégica. É uma obrigação política.
E isso implica agir com clareza: aplicar regras iguais para todos, fazer cumprir os estatutos sem hesitações e distinguir, sem ambiguidades, quem constrói de quem fragiliza.
Só assim o Partido se dará ao respeito por dentro. E só assim continuará a merecer respeito por fora.
Porque, em política, a coerência não é um detalhe… É tudo.
OPINIÃO | Laura Maria Fonseca, presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades e militante do Partido Socialista
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