Desde crianças somos ensinados a lavar as mãos corretamente, confiando que água e sabão eliminam os germes. No entanto, pesquisas recentes indicam que a fase final — a secagem — pode anular esse esforço, e até piorar a situação. Secadores de mãos, especialmente os de jato de ar, podem espalhar bactérias e vírus, em vez de os remover.
Em 2010, um estudo de Anna Snelling, da Universidade de Bradford, revelou que esfregar as mãos sob secadores de ar aumenta a presença de bactérias na superfície da pele. A pesquisa acompanhou 14 voluntários usando três tipos de secadores. Quando mantiveram as mãos imóveis, a contagem bacteriana diminuiu 37%. Ao esfregá-las para acelerar a secagem, a contagem aumentou 18%.
“Ao esfregar as mãos, trazemos muitas bactérias dos poros para a superfície”, explicou Snelling.
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Outros estudos focaram nos patógenos presentes no ar. A Universidade de Westminster comparou toalhas de papel, secadores tradicionais e secadores a jato de alta velocidade. Os resultados foram alarmantes: os secadores a jato aumentaram em até 42% as bactérias nas pontas dos dedos, enquanto os secadores de ar quente tradicionais aumentaram em 194%.
Um estudo de 2015, publicado no Journal of Hospital Infection, concluiu que os secadores a jato podem dispersar até 190 vezes mais partículas virais do que toalhas de papel, lançando-as a até três metros de distância. Em ambientes hospitalares, estes secadores podem funcionar mais como “furacões virais” do que como ferramentas de higiene.
A solução mais eficaz continua a ser a mais simples. Uma meta-análise da Clínica Mayo, publicada no Mayo Clinic Proceedings, concluiu que as toalhas de papel são superiores do ponto de vista da higiene. Ao contrário dos secadores, que dependem do calor e da evaporação, as toalhas removem fisicamente bactérias e vírus remanescentes da lavagem.
No estudo de Snelling, mesmo quando os voluntários esfregavam vigorosamente as mãos, as toalhas de papel reduziram pela metade a quantidade de bactérias. Além de secarem, completam a limpeza, tornando-se a opção mais segura, sobretudo em hospitais e clínicas, pode ler-se no ZME Science.
Apesar da conveniência dos secadores elétricos e da redução do desperdício de papel, os especialistas alertam que estes dispositivos podem, paradoxalmente, facilitar a propagação de doenças.
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