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“Está com o burro?”

Notícias de Coimbra | 1 hora atrás em 22-02-2026

Se já ouviu alguém dizer “hoje ele está com o burro”, pode ficar descansado: não há estábulos improvisados nem fardos de palha na sala.

Trata-se apenas de uma das expressões mais castiças da língua portuguesa para descrever aquele estado muito específico — e bastante comum — de teimosia absoluta.

“Estar com o burro” significa estar irredutível, embirrado, agarrado a uma ideia como se fosse a última bolacha do pacote. É quando alguém já decidiu que tem razão e, aconteça o que acontecer, não arredonda posição nem por decreto.

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A origem é fácil de perceber. O burro, no imaginário popular, sempre foi visto como trabalhador, resistente e… dono de uma vontade muito própria.

Quem já tentou puxar um burro que decidiu ficar parado sabe que não há argumento lógico, ameaça dramática ou promessa de recompensa que o faça mexer uma pata. Quando empaca, empaca. E é precisamente essa imagem que a expressão recupera: a pessoa está ali, firme, imóvel nas suas convicções, impermeável a opiniões externas.

No dia a dia, o provérbio encaixa que nem uma luva em inúmeras situações. Serve para aquele amigo que insiste que o atalho é “já aqui”, mesmo depois de três rotundas falhadas; para o colega que garante que “sempre se fez assim” como se isso fosse argumento científico; ou para o familiar que, em pleno almoço de domingo, decide que não vai mudar de opinião sobre rigorosamente nada. Nesses momentos, alguém suspira e sentencia: “Deixa lá, ele está com o burro.”

O curioso é que a expressão tem um lado quase carinhoso. Não é um insulto feroz, é mais um diagnóstico popular, uma forma bem-humorada de reconhecer que, naquele dia, não vale a pena insistir.

Afinal, todos nós, em maior ou menor grau, já estivemos com o burro. A diferença está apenas na frequência — e na capacidade de, eventualmente, largar as rédeas e dar o braço a torcer. Mesmo que seja só um bocadinho.