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Coimbra

“Se eu soubesse que havia greve nos SMTUC não tinha carregado o passe” (com vídeos)

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A greve de sete dias iniciada esta segunda-feira pelos motoristas dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) apanhou de surpresa grande parte dos utilizadores que se sente prejudicada com a paralização. Os trabalhadores alegam incumprimento de um acordo no que respeita aos horários de trabalho e dizem que estão a ser penalizados em pelo menos numa hora por dia. Mais: caso a situação não se resolva prometem nova greve para o arranque do ano letivo. 

“Eu vim carregar o passe e foi aí que ouvi falar da greve. Já o tinha carregado, se eu sabia nem carregava”, confessou ao Notícias de Coimbra Clara Passinhas, dizendo estar “perdida” com a situação. Veio das Lages para o centro da cidade e esperava “resolver alguns assuntos” na Baixa durante a manhã, mas acabou por “fazer tudo a correr” e antes das 10:00 já estava sentada na paragem junto à beira-rio a aguardar pelo 23. “Até me desorientei e esqueci-me de entregar um talão de desconto de 10% de desconto que tinha nas compras”, lamentou.

“Certamente vou ter que andar a pé, para a minha zona os autocarros são raros. Com certeza é para lá que fazem mais greve”, preconizou Clara Passinhas. Na loja dos SMTUC “garantiram que pelo menos até às 11:00 havia autocarros” e por volta das 10:00 lá chegou o transporte. A mesma sorte não teve Teresa Almeida, com mais de uma hora de atraso para o trabalho, acabou por ter de ir a pé. “Já estou a aguardar pelo autocarro há uma hora e um bocadinho. Não passa e quando passa está sempre sem ar condicionado, uma quentura danada”, queixou-se ao NDC. “A gente paga o passe tem direito a alguma coisa melhor, não é?”, questionou, dizendo que foi apanhada de “surpresa”. Depois, pôs-se ao caminho a pé, apesar de ainda ser um “bocadinho longe” porque não podia esperar mais. 

Fernando Madeira foi outro dos utilizadores que se sentiu prejudicado na manhã desta segunda-feira. “Faz muita falta, muita falta mesmo”, afirmou ao NDC, enquanto esperava na paragem. Este utilizador frequente dos SMTUC, mostra-se “contra a greve”. Clara Passinhas prefere não se manifestar sobre os “problemas dos motoristas”, mas considera que “pelo menos para quem tem passe, os SMTUC deviam assumir a responsabilidade”. Para esta passageira, “quem sofre é o cliente dos autocarros porque paga o passe e tem de andar a pé”. Também Teresa Almeida sustenta que os motoristas “têm o dever de lutar pelo que é melhor para eles”, contudo lamenta que os utilizadores, “que também são trabalhadores é que tenham que pagar o preço”.

Com esta paralização parcial, os motoristas dos SMTUC querem “mostrar à Câmara e ao Conselho de Administração o seu descontentamento” por não estar a ser cumprido um acordo segundo o qual o tempo de deslocação de e para o local de serviço é contabilizado como período de trabalho. “Não é nada do outro mundo. Queremos o mesmo respeito que os outros trabalhadores da Câmara “, afirmou ao NDC Manuel Oliveira, do Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores (SNMOT) que convocou a greve. “Estes trabalhadores têm de terminar o serviço no mesmo local onde o iniciam. Caso isso não aconteça, a deslocação tem de fazer parte do horário normal de trabalho”, sustentou.

Argumentando que a greve foi “cirurgicamente marcada” para um período em que prejudicaria menos os utilizadores, Manuel Oliveira assegura que caso as pretensões não sejam atendidas o mesmo não acontecerá em setembro. “Se não nos conseguirem entender, marcaremos outra greve para o início do ano letivo”, assegurou. “Lamento imenso esta situação, mas sentimos que estamos a falar sozinhos”, rematou o dirigente sindical.

“A Câmara Municipal de Coimbra ao tomar conhecimento da manutenção da greve agendada para esta semana, não pode deixar de lamentar o transtorno que a greve irá causar nos utilizadores dos SMTUC”, refere uma nota da autarquia enviada em resposta ao Notícias de Coimbra. No mesmo documento, o município assinala que “durante 8 anos não houve greves nos SMTUC” e que “não foi retirado nenhum direito aos trabalhadores dos SMTUC. “Ao fim de nove meses de governação na Câmara Municipal somos confrontados com uma greve, apesar da nossa total e constante disponibilidade para o diálogo. A única exigência não atendida apresentada pelo SNMOT, se fosse aceite, traria impactos económicos avultados e incomportáveis para os SMTUC, quando os mesmos já se deparam com um déficit de mais de 2 milhões de euros (para além dos 6,8 milhões já assumidos pela CMC). Estes constrangimentos económicos foram apresentados ao SNMOT, na reunião do passado dia 27 de julho”, lê-se ainda. 

Segundo a autarquia, está agendada nova reunião com os sindicatos ainda para este mês de agosto.

Veja o direto NDC com Clara Passinhas:

 

Veja o direto NDC com Teresa Almeida:

Veja o direto NDC com Fernando Madeira:

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