Região

Santana Lopes defende administração própria para o porto da Figueira da Foz

Notícias de Coimbra com Lusa | 19 horas atrás em 08-01-2026

O porto da Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, devia ter uma administração única, dissociada de Aveiro, devido à sua complexidade, defendeu hoje o presidente da Câmara, Pedro Santana Lopes.

O autarca disse aos jornalistas, no final da sessão de Câmara de hoje, que “os problemas são muitos e não se compadecem com uma administração que esteja noutro sítio, mesmo que tenha um elemento da Figueira da Foz”.

“Não estou a dizer isto por alguma birra ou por algum intuito eleitoral, é porque acho mesmo que tem de ser. É uma inconsciência ser de outra maneira, porque os administradores são absorvidos”, considerou.

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Santana Lopes vai aguardar pela realização das eleições presidenciais para depois transmitir esta posição ao Governo de Luís Montenegro.

“Tive de fazer a luta, pela segunda vez, para ter alguém da Figueira da Foz na administração do porto. E agora vou passar a outra fase”, anunciou.

O presidente da autarquia disse que ficaria satisfeito com um administrador delegado, como já existiu, porque é “preciso alguém que esteja todos os dias”, salientando que os agentes económicos “têm de ter com quem falar quando surgem as situações”.

“Os agentes económicos têm de ter com quem falar quando surgem as situações. Não é na semana seguinte ou daí a 15 dias, quando os administradores podem vir à Figueira da Foz”, sustentou Santana Lopes.

O autarca considerou que esta situação “é inaceitável e um contrassenso, que não faz sentido nenhum, e que prejudica a pessoas e pode, às vezes, colocar em causa a vida de pessoas, pelo que é um assunto para o qual o Governo deve olhar”.

Santana Lopes justificou também uma administração única com os grandes investimentos que estão a ser efetuados na navegabilidade do porto e no combate à erosão costeira a sul, superiores a 50 milhões de euros.

“O porto mexe com muito coisa”, enfatizou o presidente da Câmara, referindo que, na ferrovia, por exemplo, a ligação a Coimbra demora o mesmo tempo de há 70 ou 80 anos, “uma coisa sem pés nem cabeça”.

Adiantou ainda que muitos empresários do concelho lhe manifestaram apoio na luta “para evitar a canibalização do porto da Figueira da Foz”, que serve toda a região, tendo em conta o desenvolvimento futuro.

Na sessão de Câmara de hoje, Santana Lopes falou de um “fenómeno estranho” da recém-empossada administração que já foi “sugada pelos interesses de Aveiro, por assentar num modelo orgânico que prejudica a Figueira da Foz.

“O porto merece uma administração a tempo inteiro, em contacto permanente com os operadores e a comunidade piscatória, para resolver situações complicadas, como as que se têm verificado”.

Na reunião do executivo, o autarca manifestou preocupação pelo assoreamento da barra neste inverno, devido aos movimentos de areias de correntes de norte e sul que já levaram barcos de carga e pesca a “roçar no fundo”.

Santana Lopes mostrou-se também preocupado com as dragagens e utilização de explosivos no leito de rocha do Mondego estarem a impossibilitar a entrada no rio da lampreia e sável, cuja época de pesca começa no sábado, e consequentemente a atividade dos pescadores.

Geridos em conjunto, os portos de Aveiro e da Figueira da Foz entraram em 2026 com nova administração, liderada por Teresa Cardoso, ex-presidente da Câmara Municipal de Anadia, que sucede a Eduardo Feio.

O conselho de administração tem como vogais Rogério Carlos, ex-vice-presidente da autarquia de Aveiro, e Valter Rainho, funcionário da Câmara da Figueira da Foz.

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