Saúde

Sangue menstrual pode detetar doenças antes dos sintomas aparecerem

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 09-03-2026

Um novo foco de investigação médica está a olhar para o sangue menstrual — tradicionalmente visto apenas como um “resíduo” do ciclo — como um possível indicador valioso da saúde do corpo.

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Especialistas internacionais afirmam que esse fluido contém uma mistura de células, tecido endometrial, hormonas e marcadores biológicos que podem refletir o estado de saúde geral e específico do sistema reprodutivo.

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Cientistas por todo o mundo estão a desafiar a ideia de que o sangue menstrual é simplesmente lixo biológico. Defendem que contém tecido do revestimento uterino, cuja composição pode alterar conforme variações hormonais; células imunes e outras células endometriais — que podem ajudar a estudar doenças inflamatórias e condições como endometriose; e biomarcadores que variam conforme o estado de saúde, o que torna o sangue menstrual uma possível ferramenta para monitorização regular sem invasão.

Têm estudado formas de usar essa amostra para entender melhor os desequilíbrios hormonais, inflamação crónica e doenças ginecológicas — e, em alguns casos, como sinal precoce de patologias que hoje exigem exames invasivos ou demorados.

Ao contrário de análises de sangue convencionais, que oferecem apenas um “instantâneo” de um momento, o padrão regular de ciclos menstruais pode permitir rastreamento contínuo ao longo do tempo. Isso poderia transformar a forma como a saúde reprodutiva é monitorizada e oferecer uma janela mais acessível para identificar sinais de infeções ou desequilíbrios hormonais; monitorizar condições como endometriose e miomas sem exames invasivos; e detectar potenciais riscos de saúde relacionados ao ciclo reprodutivo.

Embora promissor, este campo de estudo ainda está em desenvolvimento. A comunidade científica destaca que faltam protocolos padronizados para interpretar todos os sinais do sangue menstrual; a tecnologia e os métodos de análise ainda precisam ser validados em estudos clínicos mais amplos; ainda há questões éticas e de privacidade sobre uso de dados biológicos pessoais.

Além da ciência, a discussão sobre o que o sangue menstrual pode revelar está a contribuir para desmistificar um tema historicamente tabu. Ativistas de saúde menstrual sublinham que tratar o período como um assunto médico legítimo é um passo importante para melhorar o acesso à informação, reduzir estigmas e proteger a dignidade de quem menstrua.

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