Economia

Saiba o que aconteceu no Vê Portugal da Turismo Centro de Portugal

Notícias de Coimbra | 2 anos atrás em 07-06-2022

A recuperação da atividade turística esteve em grande destaque do segundo dia do 8.º Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, que decorre em Tomar.
 
A Sessão de Abertura, no Cine-Teatro Paraíso, deu o mote, com intervenções de Filipa Fernandes, vereadora da Câmara Municipal de Tomar, João Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar, Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, e Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal.
 
Na sua intervenção, Filipa Fernandes (presente por indisponibilidade, motivada por doença, da presidente da autarquia, Anabela Freitas) recordou que “Portugal atravessou uma das suas piores fases nos últimos tempos”, motivada pela pandemia. “A covid-19 abalou o Turismo, que atravessava o seu expoente máximo, retirou-nos vivências e sonhos que tínhamos para realizar. Mas não nos tirou a capacidade para sonhar”, salientou. “No território, continuamos cá, com os nossos ativos principais, o património e a gastronomia. E com as pessoas, que são quem faz o território”, acrescentou.
 
João Coroado frisou também a importância do património para a atividade turística, nomeadamente o património cultural e etnográfico. “Há muito património que está a ser perdido, mas há formas de o reavivarmos. Temos um folclore muito rico e há que torná-lo mais contemporâneo”, exemplificou, enaltecendo a aposta que o Politécnico de Tomar tem feito nesta área.
 
Pedro Machado recordou os três grandes eixos em que assenta este Fórum: restaurar a confiança e o crescimento, reforçar a coesão e criar felicidade. “Os dados mais recentes de procura turística, de abril, mostram que estamos num processo de recuperação da confiança dos visitantes, em particular dos visitantes internos. Este dado faz-nos reforçar a importância do mercado interno ao longo de todo o ano, o que constitui uma oportunidade para os territórios de baixa densidade, de interior. Percebemos hoje que os portugueses encontraram nestes territórios novas experiências e novas motivações”, destacou. Desta forma, “o turismo é extraordinariamente importante para a coesão territorial e para o combate das assimetrias que ainda persistem. O Turismo é a atividade mais democrática de todas, uma vez que exportamos todas as parcelas do território. E é essencial que o Turismo assegure que haja felicidade para as comunidades que recebem os turistas”. 
 
Ainda na sua intervenção, Pedro Machado recordou o “trabalho notável” que as entidades regionais de turismo têm feito no crescimento da atividade turística: “O Turismo é um dos setores mais bem regionalizados nas últimas décadas. Nos seus órgãos estão presentes os decisores locais, que são parte ativa dos programas. Os destinos regionais reforçam a marca Portugal”.
 
“É essencial discutirmos neste fórum os desafios do futuro. Mas é ainda mais importante homenagearmos os nossos concidadãos, que nos últimos dois anos escolheram o nosso país para viajar e descobriram o nosso território”, começou por dizer Luís Araújo. “Esta retoma da atividade não é fruto da sorte e azar, é fruto do trabalho de todas e de todos ao longo destes dois anos. A aposta na requalificação do destino foi exemplar e a velocidade com que recuperamos é o exemplo disso”, acrescentou. Mas “o Turismo não é um dado adquirido. Tem desafios e é preciso que seja trabalhado. O Turismo está a mudar e Portugal está a liderar nessa mudança. Temos um setor estruturalmente forte, estamos bem preparados para a mudança”, disse ainda Luís Araújo.
 
A terminar a Sessão de Abertura, Francisco Calheiros reforçou a ideia de que “há hoje novos desafios a que o Turismo tem de se adaptar”, nomeadamente “a pandemia, a guerra, as alterações climáticas, que alteraram aquilo que os turistas querem”. Por isso, a atividade turística necessita de oferecer “novos produtos que correspondam às novas necessidades”, antes de recordar que são “necessárias ajudas públicas para a capitalização das empresas, que ficaram descapitalizadas com a pandemia”, assim como é decisivo resolver outros problemas, como os vistos para quem quer trabalhar no nosso país e a questão do novo aeroporto de Lisboa.
  
Seguiu-se o primeiro painel, dedicado às novas tendências no comportamento do turista provocadas pela pandemia. Moderado por Ana Peneda Moreira, jornalista da SIC, o painel foi constituído por um conjunto multidisciplinar de especialistas.
 
Mauro Paulino, psicólogo e coordenador do livro “A Psicologia da Pandemia”, sublinhou a importância do “turismo de auto-cuidado”, uma tendência que cresceu com a pandemia. “O Turismo contribui para o bem-estar das pessoas e para a recuperação do equilíbrio”, frisou, lembrando que “a Psicologia tem um contributo a dar ao turismo, porque a Psicologia estuda o comportamento humano e esse comportamento foi afetado pela pandemia”.
 
Marta Poggi, consultora de Turismo Digital, especializada em tendências e inovação no Turismo e Hotelaria, orientou a sua intervenção para as mudanças visíveis, ou ainda disfarçadas, nos padrões de consumo dos novos viajantes. Entre estas, destacou a “preocupação com o meio ambiente e as comunidades que recebem turistas”, assim como “a aceleração digital e o uso das novas tecnologias, que impactam diretamente no negócio turístico”. “O viajante é cada vez mais digital, mais exigente, mais consciente e mais responsável”, sintetizou. “Viajar é a melhor forma de alguém se reconectar com a família ou com os amigos. As viagens são uma forma privilegiada de cuidar da saúde mental e emocional. No final da vida, o que conta são as experiências, os bons momentos que vivemos com as pessoas que amamos. Esta é uma oportunidade para o setor do Turismo”, concluiu.
 
Tiago Phillimore, responsável pelas áreas de eCommerce e Digital da TAP, mostrou-se otimista em relação à evolução do setor da aviação, depois de dois anos dramáticos. “Espera-se que 2024 seja o ano do break even na aviação. Na TAP, esperamos estar já com uma capacidade de 90% no verão e no final do ano”, disse.
 
Já António Neves, Industry Manager – Travel da Google, trouxe ao debate a forma como os turistas hoje pesquisam as suas férias e viagens. “O turista está ainda mais digital depois da pandemia”, disse. Hoje, todas as opções são pesquisadas nas plataformas, desde o preço dos voos até sugestões de programas a fazer nos destinos. Por outro lado, realçou que a preocupação com a saúde e a segurança estão já a ser colocadas em segundo plano, estando o preço dos destinos a assumir a prioridade: as ofertas com descontos são cada vez mais determinantes por causa da inflação.
 
O segundo painel teve como tema “O Capital Humano nas Organizações: impactos e mudanças” e foi moderado por Maria José Santana, jornalista do Público. Foi um painel integralmente feminino, em que as participantes conversaram sobre questões como a situação atual das empresas ou as novas formas de trabalhar, que vieram alterar substancialmente o mercado do trabalho e expor algumas fragilidades em termos da legislação em vigor.
 
A primeira interveniente foi Margarida Sousa Uva, senior manager da Deloitte e especialista em Gestão do Capital Humano, Gestão do Conhecimento nas Organizações e Gestão da Mudança. Na sua intervenção, elencou alguns dos novos desafios, mas também das oportunidades, que o futuro do trabalho perspetiva para as empresas. E lançou o desafio para que as organizações olhem para a força de trabalho e adequem as suas práticas à realidade trazida pelo teletrabalho e pelos modelos híbridos.
 
Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, mostrou grande preocupação com a falta de mão de obra que existe no setor do Turismo, que viu dezenas de milhares de trabalhadores saírem com a pandemia. “O setor precisa atualmente de 86 mil trabalhadores. É um problema que está a assumir proporções verdadeiramente graves. A procura turística está a crescer, estamos a atingir os níveis pré-pandemia, mas não temos trabalhadores”, alertou. Questionada sobre o apelo, por parte do primeiro-ministro, para que as empresas aumentem os salários, respondeu que “melhores vencimentos não surgem por decreto. Para isso acontecer, é preciso diminuir a carga fiscal sobre o trabalho, sob pena de se dizer constantemente que o setor do Turismo paga mal. As empresas não têm disponibilidade, estão descapitalizadas depois de dois anos de pandemia”.
 
Ana Paula Pais, diretora de formação e coordenadora das escolas de turismo do Turismo de Portugal, refletiu sobre o futuro do ensino e os múltiplos desafios que isso levanta às escolas. “As escolas de turismo precisam de promover a formação em contexto empresarial, de formar equipas ao longo da vida. Há um grande caminho para fazer a este nível”, sustentou.
 
À tarde, o terceiro painel debruçou-se sobre a “covid-19 e a emergência de novos produtos turísticos”. Moderados por Jorge Costa, do IPDT – Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, os oradores debateram assuntos como os percursos pedestres e cicláveis, o ecoturismo, o nomadismo digital e todo um conjunto de novos produtos turísticos que encontraram no contexto de pandemia uma forma de emergir e de se afirmar.
 
Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Desenvolvimento de Recursos do Turismo de Portugal, lembrou que Portugal esteve muito atento à situação concreta da pandemia e houve muito trabalho feito nestes últimos dois anos. “Estamos mais preparados do que nunca para os desafios do Turismo”, disse.
 
Sérgio Nunes, diretor do Centro de Investigação Aplicada em Economia e Gestão do Território, contrapôs uma posição mais cética. Considerando que “a estrutura produtiva nacional não está adequada” aos desafios atuais, lamentou que pouco tenha sido feito para alterar a situação.
 
Já Pedro Pedrosa, CEO na empresa Portugal A2Z Walking & Biking, frisou que a recuperação da procura turística, já este ano, causou uma “pressão do mercado que nos impôs a darmos respostas o mais depressa possível. Os números da procura do turismo da natureza em março, por exemplo, são inacreditáveis, superiores aos de antes da pandemia, e não estávamos preparados para isso. Estamos a ter uma avalanche de turistas nestes produtos”.  Para Pedro Pedrosa, “o Turismo pode ser um dos setores estratégicos do país”, uma vez que “encaixa com a nossa maneira de bem receber”.
 
A tarde terminou com a entrega dos certificados e dos Prémios “Best Responsible Trails”, que distinguiram, pela primeira vez, os trilhos de caminhada e cicloturismo que se distinguem pelas boas práticas. Na categoria “Comunidade”, o vencedor foi o PR 5 de Seia – Rota da Garganta de Loriga; na categoria “Inteligente”, o galardão foi para a GR 22 – Grande Rota das Aldeias Históricas de Portugal; e na categoria “Conservação” ganhou a Rota Vicentina – Caminho Histórico.

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