Coimbra

Ruído e poluição não têm horas de ponta no IC2 em Coimbra. Moradora diz que “é insuportável” (com vídeo)

Zilda Monteiro | 2 anos atrás em 13-10-2022

O ruído provocado pelo trânsito no IC2, na zona da Estrada de Eiras, em Coimbra, “é insuportável” e não dá descanso a quem vive a escassos metros desta via. A luta para que ali sejam colocadas barreiras acústicas dura há vários anos, as promessas de resolução por parte da Infraestruturas de Portugal (IP) vão-se sucedendo mas, na verdade, o problema continua por resolver.

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Um dos prédios situados na Estrada de Eiras, no n.º 144, parece ser um dos mais afetados pelo ruído do trânsito, já que alguns andares estão ao nível do IC2. Uma das moradoras contou ao Notícias de Coimbra que a situação se tem vindo a agravar, sendo o fluxo de trânsito cada vez maior.

Recorda que quando veio para ali viver, em 1987, quando o prédio foi construído, aquilo “era o paraíso”, cenário que mudou cerca de três anos depois, com a construção do IC2. Atualmente situam-se naquela zona dois prédios, estando ambos “muito perto” desta estrada que, “à medida que os anos foram passando, começou a ter uma afluência muito grande de trânsito”, o que se traduziu em muito ruído e poluição.

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“O ruído e a poluição já não têm horas de ponta. Acordamos a qualquer hora da noite e só se ouve o barulho dos carros. Somos obrigados a ignorar mas faz muito mal à saúde porque é um coisa inexplicável”, sublinha.

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Perante esta situação, as queixas começaram cedo. A primeira “participação” à IP foi feita em 2007, altura em que foram também recolhidas assinaturas de todos os moradores, que denunciavam a situação e apelavam à sua resolução. Pediam à IP que tomassem “as medidas necessárias no sentido de minimizar os níveis de ruído existentes no local”, consequência do elevado tráfego. A solução, no seu entender, passava pela colocação de “barreiras acústicas na zona”.

Ao longo dos anos, foram enviados vários emails à IP, sempre com a mesma reivindicação. As respostas surgiram sempre mas a solução não. Primeiro porque não havia verbas, depois que iam resolver.

A última chegou a 11 de agosto. No email enviado, a que o Notícias de Coimbra teve acesso, a IP refere que “as medidas de minimização de ruído que estão previstas no Plano de Ação do IC2 a serem implementadas na proximidade da sua habitação, nomeadamente a aplicação de uma camada de desgaste com características absorventes sonoras e a instalação de uma barreira acústica entre o km 191,537 e o km 191,637, serão integradas no projeto de beneficiação do IC2 entre o nó de Almegue (km 189,790) e o limite do distrito de Coimbra/Aveiro (km 199,080)”. Acrescenta ainda que, “neste momento, estão a ser preparadas as peças para o concurso público que se prevê que seja lançado em janeiro de 2023”.

Apesar do anúncio para breve, esta resposta não tranquiliza esta moradora que há cerca de 15 anos luta para ter mais qualidade de vida na sua própria casa. “A resposta repete-se sucessivamente desde a primeira reclamação em 2007, portanto não traz nenhuma garantia”, lamenta. Com o IC2 em frente, do qual nunca se consegue abstrair, conta que há dias em que o trânsito está parado nos dois sentidos, nas quatro faixas de rodagem. Para além do barulho normal dos carros e camiões sempre a passar, denuncia as buzinadelas e a poluição.

“Não posso abrir uma janela ou ir à varanda. É insuportável. Não conheço mais nenhum prédio que esteja tão em cima do IC2 como este e o edifício já cá estava quando o IC2 apareceu”, desabafa, explicando que quando limpa a varanda “o pano sai preto” e que, “quando chove, os salpicos provocados pelos carros vêm parar às janelas”.

Apesar de a grande maioria dos moradores dos dois prédios que se encontram na zona terem colocado vidros duplos, a barreira não é suficiente para evitar que o ruído entre.

Não compreende, por isso, como é que a IP pode considerar que os valores do ruído estão “nos parâmetros normais”, quando “há pessoas que estão dentro destes assuntos que dizem que o movimento que se regista nesta parte do IC2 é superior a cinco autoestradas com movimento”.

Não compreende a demora na resolução, ainda mais quando “se veem barreiras acústicas a tirar o som aos pinheiros, em zonas onde não há casas”.

A juntar a todas estas preocupações, há ainda o risco de ocorrer um acidente na zona, com “algum carro a cair nas varandas e a matar alguém”.

O Notícias de Coimbra contactou a IP para obter mais esclarecimentos sobre este assunto mas até ao momento não obteve resposta.

Veja o vídeo do direto NDC:

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