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Romancista Mário de Carvalho alerta para “certa degradação” da linguagem e da cultura

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 O romancista Mário de Carvalho disse hoje, em Coimbra, que se verifica atualmente na sociedade portuguesa uma “certa degradação” da linguagem e da cultura, que se põe muito ao nível da comunicação social de massa.

“Penso que há uma tentativa de uniformizar por baixo e que isto provavelmente corresponde a certos interesses, que estão interessados em ter pela frente, não cidadãos ativos e intervenientes, mas consumidores passivos”, salientou o escritor.

Mário de Carvalho falava à agência Lusa no final da cerimónia de entrega do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2013 – que o romancista venceu com o livro de contos “A liberdade de Pátio” -, presidida pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

“Quando fiz a distinção entre o leitor, aquele que de certo modo acompanha o escritor, e o público, estou a fazer a diferença entre uma intervenção e um consumo passivo, de alguém que reage perante uma situação de uma forma conformista, passiva e acrítica. E é esse tipo de mentalidade que se está, a pouco e pouco, a inculcar e, devo dizer, com sucesso”, sublinhou.

“Estamos limitados por uma linguagem do vocabulário básico e elementar, que é aquela que se fala nas televisões e que diariamente nos é imposta”, considerou o romancista.

Rejeitando culpar os jornalistas que, na sua opinião, também serão vítimas das circunstâncias e de interesses instalados, Mário de Carvalho defendeu a intervenção cultural dos escritores e intelectuais de forma a “não baixar a guarda e a não deixar que a unanimidade se instale”.

O vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2013 alertou para a necessidade de “agilizar a linguagem e que não estejamos confinados a uma linguagem que nos é imposta e é cada vez mais afunilada”.

“Não consigo que me limitem e me enclausurem dentro de uma linguagem estereotipada e estabelecida. E se a nossa língua e tradição nos dão recursos que eu possa utilizar não vou deixar que me limitem na utilização desses recursos”, afirmou Mário de Carvalho.

Na cerimónia, que decorreu no Hotel Quinta das Lágrimas, a Fundação Inês de Castro 2013 entregou ainda o prémio carreira ao poeta Gastão Cruz.

O prémio literário e o de carreira foram atribuídos por unanimidade aos dois escritores por um júri composto pelo catedrático José Carlos Seabra, pelo escritor Mário Cláudio, pelo poeta e ensaísta Fernando Guimarães, pelo tradutor e poeta Frederico Lourenço e pelo escritor e crítico literário Pedro Mexia.

O Prémio Literário Fundação Inês de Castro, que vai na sétima edição, distingue anualmente obras literárias sobre motivos do “mito inesiano”.

Maria do Rosário Pedreira, Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares venceram as edições anteriores do Prémio Literário.

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