Opinião

Robô ou Cirurgião na Cirurgia da Coluna

OPINIAO | 14 horas atrás em 05-02-2026

As dores nas costas são uma das queixas mais comuns da população em geral. Para muitos, começam como um incómodo, mas pode tornar-se um problema sério, com impacto no trabalho, na vida familiar e na qualidade de vida. Em alguns casos, quando os tratamentos habituais deixam de resultar, a cirurgia à coluna pode ser necessária.

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A boa notícia é que esta área da Medicina está a mudar — e a mudar para melhor. Em Portugal, tal como noutros países, a cirurgia à coluna tem evoluído com um objetivo claro: reduzir riscos para o doente e melhorar os resultados clínicos.

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Durante muitos anos, estas cirurgias foram associadas a procedimentos muito invasivos, recuperações longas e risco elevado de complicações. Mesmo com os avanços das últimas décadas, existe sempre um momento crítico: a precisão. Muitas cirurgias implicam a colocação de implantes para estabilizar a coluna, e pequenos desvios podem ter consequências significativas.

Um implante mal posicionado pode provocar dor persistente, irritação ou lesão dos nervos, limitações na mobilidade e, em alguns casos, obrigar a uma nova cirurgia. Para o doente, isto significa mais sofrimento e mais tempo afastado da vida normal. Para o SNS, representa mais dias de internamento, mais tempo de bloco operatório, mais exames e mais custos. É um problema que afeta todos.

É neste contexto que a robótica na cirurgia da coluna surge como uma nova revolução. A tecnologia não substitui o médico. O cirurgião continua a liderar todo o processo. A diferença é que passa a contar com um apoio que permite executar passos mais delicados com muito maior precisão. E quando a cirurgia é mais precisa, há menos erros, menos complicações e melhor recuperação.

Menos complicações significam também menor risco de reoperações e menos ocupação de recursos hospitalares. Um doente que recupera mais depressa regressa mais cedo à sua autonomia, à vida familiar e ao trabalho, reduzindo o impacto social e económico da doença. A inovação, neste sentido, deixa de ser um luxo e passa a ser uma decisão racional.

Naturalmente, a tecnologia por si só não chega. É essencial investir em equipas bem formadas, com treino contínuo e partilha de boas práticas, em que o doente deve estar no centro das decisões, com acesso a informação clara sobre as opções disponíveis.

Iniciativas como a campanha “Olhe Pelas Suas Costas” ajudam a promover a prevenção, o diagnóstico precoce e escolhas mais informadas. Tratar bem da sua coluna é a medida profilática mais importante.

Apostar na inovação é apostar em mais qualidade de vida e um SNS mais eficiente. É, acima de tudo, apostar num futuro onde tratar melhor também significa gastar melhor.

OPINIÃO | António Francisco Martingo Serdoura