A avaliação dos danos causados pela entrada de água no interior do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, na cidade de Coimbra, só será possível após descida da cota do rio Mondego, informou hoje o instituto público Património Cultural.
“A avaliação definitiva dos danos causados pelas cheias no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha apenas poderá ser efetuada após a drenagem completa das águas no Mosteiro e respetivo Claustro, ou seja, quando a cota do rio o permitir”, referiu.
Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, o Património Cultural considerou que a entrada de água no interior do monumento foi “uma consequência inevitável do avolumar das águas do Mondego, que por sua vez resultou da abertura das comportas da Barragem da Aguieira, realizada nos passados dias 31 de janeiro e 01 de fevereiro”.
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“A necessária gestão das quotas de armazenamento das barragens e açudes da região face às chuvas intensas causou naturalmente um aumento significativo do caudal do Mondego, com repercussões no edificado das zonas ribeirinhas, como é o caso do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha”, indicou.
De acordo com o Património Cultural, perante esta situação atempadamente conhecida de risco de inundação, foi de imediato montada uma operação de acompanhamento permanente da situação no terreno, com equipas técnicas a monitorizar, 24 horas sobre 24 horas, os níveis de água no interior do edifício.
Apesar de a água ter entrado no interior do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, “mantêm-se em curso as frentes de trabalho possíveis”, para a requalificação do Centro Interpretativo, Casa do Paço e arranjos exteriores, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“As obras prosseguem a um ritmo condicionado em virtude das oscilações da cota do rio na zona de acesso principal, podendo registar interrupções temporárias por razões de segurança”, acrescentou.
O Património Cultural anunciou ainda que tem disponível, desde domingo, um canal de comunicação direta para os cidadãos reportarem os danos provocados pelo mau tempo no património cultural das suas localidades, através do endereço de email reportar@patrimoniocultural.gov.pt.
“A participação de todos, através do relato de estragos, localização do património e envio de fotos, é essencial para proteger a nossa herança comum”, destacou.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.