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Coimbra

Revenge of the 90´s não tinha licença para tocar até ao cantar do galo!

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O galo já cantava em Trouxemil quando os últimos clientes saíram da festa Revenge of the 90´s, que se realizou na noite de 9 para 10 de junho, nas Caves de Coimbra.

Notícias de Coimbra perguntou à Câmara Municipal de Coimbra se a iniciativa tinha licença para funcionar até de manhã.

A autarquia respondeu que o evento “Revenge of the 90’s”, que decorreu na noite de 9 para 10 de junho de 2018, foi emitida Licença de Recinto Improvisado para a instalação de palco e Licença Especial de Ruído até às 02h00″.

A nossa reportagem, que esteve 5 horas nas Caves de Coimbra, não viu no local qualquer agente de autoridade nacional ou municipal para fazer cumprir a lei.

Comerciantes de Coimbra, sobretudo do centro histórico, já lamentaram que a Câmara Municipal de Coimbra tenha “dois pesos e duas medidas” no que diz respeito ao funcionamento de estabelecimentos de diversão noturna. 

Nós somos obrigados a cumprir horários, nem podemos deixar as cadeiras na rua, mas os de fora, que nem pagam impostos em Coimbra, podem fazer o que querem, frisa um empresário que não quer ser identificado.

A Revenge of the 90´s é uma “Festa secreta em localizações secretas” que se realiza de Norte a Sul de Portugal.

Numa bem elaborada estratégia de marketing,  a organização vai informando nas redes sociais que a lotação está quase esgotada, mas até ao dia da festa alguém conhece um “dealer” que dispensa um ingresso (este era em formato de diskete). O último, claro!

A localização secreta da festa do tempo do BIP é divulgada por SMS no dia do evento a quem comprou bilhete por 15 euros, que “não dá direito a mais nada”

Nas Caves de Coimbra, vimos mais pessoas que nasceram nos anos 90 (ou mesmo neste século) do que “cotas” que viveram a vida nocturna dessa década, sinal que a música é intemporal ou que o povo gosta de ir onde vai o vizinho.

No que diz respeito aos outfit´s, deram nas vistas as meninas de 20-25 anos que vestiam calções de ganga combinados com t-shirts da Coca-Cola, Levis ou Fanta, que pelos vistos era o que usava nos tempos em que Cavaco Silva governava Portugal.

Os rapazes que optaram pelos óculos de sol e as fitas na cabeça, que pelos vistos estavam na moda na década em que Coimbra tinha se divertia em discotecas como a Scotch, Surprise, Broadway, Via Latina, Etc e States.

Mas há quem não tenha “arriscado” e preferisse um dress code mais formal, como foi o caso de um presidente de uma câmara e de um líder de uma cooperativa farmacêutica que optaram por não despir o fato.

Um antigo um assessor do governo, que resolveu aparecer vestido de super herói, ganharia o prémio originalidade se tivesse existido um concurso para quarentões com look inusitado.

O salão de dança da festa revivalista, com uma decoração minimalista, tinha um piso que pode ser equiparado a um relvado sintético, mas isso não impediu que a maioria das pessoas dançasse como quem está numa aula de zumba a ouvir  o Maria de Ricky Martin ou o Despacito de Luis Fonsi.

Noutra sala funcionavam os bares e as caixas de pagamento, local onde os foliões faziam fila para beber ou pagar como quem está em hora de ponta no Pingo Doce de Celas.

A música, ai a música, era o que era, ao vivo ou com dj, mas isso, como diria a guru Teresa Guilherme,  isso agora não interessa nada.

Quem “deu 15 euros para ir à festa” dançava  tanto dançava “ao som” da Orquestra da Gulbenkian ou da Marcha da Arregaça. “É para dançar, é para dançar, o que interessa é saltar”, como nos disse uma moça dos lados da Granja do Ulmeiro, que deu bom uso aos “ténis de marca”.

O baile, mais da aldeia do que da cidade, foi abrilhantado por Toy, esse rei do improviso, que logo ali, quando a noite ia alta, inventou o hino de Coimbra.

Se a moda pega, ainda o vemos nas Festa da Cidade, até porque ai não se coloca a questão do horário.

Mal comparando, mas já comparando, a Revenge of the 90´s é uma American Pie para “tios” onde as “sobrinhas” ficam tão maduras como as cerejas do Fundão em junho.

Entre uma e outra asneira (as meninas coravam se estivessem café do bairro) o  animador de serviço anunciou que a festa contou com a adesão de 2000 pessoas.

Nos ingressos a 15 euros da Revenge of the 90´s constam os nomes das empresas New Sheet e CTH Collective com sede em Lisboa. As bebidas foram vendidas pela Dynamic Mind (do designado grupo NB) sediada em Viseu.

Água e cerveja a 3 euros e bebidas brancas a 7 ou mais mataram a sede a quem tinha a carteira recheada.

Não havia caldo verde ou bifanas, mas no exterior existia um esmerado serviço de venda de cachorros, tão bons como os que eram  vendidos nos anos 90 à porta da Via Latina.

Faltaram as quermesses e os leilões de oferendas, mas havia autocolantes e concursos a imitar o saudoso 1,2,3 do mítico Carlos Cruz.

Se tivesse estado em Trouxemil, Fernando Mendes (que fazia humorismo nesse programa da RTP 1) teria dito que a Revenge of the 90´s foi  “um espectáculo”.

Quem foi não sabia ao que ia ou para onde ia (era tudo secreto, lembra-se), mas nas Caves de Coimbra estava com ar mais simpático do que quando “desfila” no NB, Mandarim os Famous Mouse.

 

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