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Coimbra

Restauro devolve som original a órgão do século XVIII em Lorvão

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O órgão construído por pai e filhos no século XVIII, no Mosteiro do Lorvão, Penacova, que teve “vários períodos de abandono”, recebeu uma intervenção que o organeiro acredita ter devolvido ao instrumento uma sonoridade idêntica à original.

Depois de algumas intervenções ao longo dos mais de 200 anos de vida, o instrumento, que “é o maior órgão histórico construído em Portugal”, vai voltar a ser tocado no sábado, terminado um restauro que devolve ao órgão o seu som, mas também o número de tubos iniciais – quatro mil -, salientou Dinarte Machado, organeiro responsável pelo restauro.

O instrumento, instalado naquele mosteiro do distrito de Coimbra, começou a ser planeado e executado por Manuel Teixeira de Miranda, durante o século XVIII, com a colaboração do seu filho, o escultor Machado de Castro, que criou as esculturas “que ornamentam a caixa do órgão, que é única”, contou Dinarte Machado.

Com a morte de Manuel Teixeira de Miranda, o órgão ficou inacabado, sendo que, 14 anos depois, o seu outro filho, Machado de Cerveira, daria continuidade ao projeto do pai, terminando a execução em 1795.

Machado de Cerveira realizou algumas alterações ao instrumento por “exigência da evolução da música da época”, o que levou a uma ampliação do órgão, explanou.

O organeiro afirmou à agência Lusa que as alterações perpetradas por Machado de Cerveira levaram a que o órgão tivesse um “aspeto mais barroco” e que “fosse mais abrangente” em termos musicais, não perdendo qualidade “quando aumentou de tamanho, o que não é normal”.

No século XIX, com uma maior aceitação da “sonoridade francesa” do que da “sonoridade barroca”, foram tiradas muitas filas de tubos, nomeadamente as agudas”, sendo que também em meados do século XX foram novamente retirados tubos, referiu Dinarte Machado, considerando que as intervenções “degradaram o instrumento”.

“Há mais de um século que o instrumento não estava completo” e longe do “seu som original”, tendo sido repostos cerca de dois mil tubos, frisou o organeiro.

Dinarte Machado começou o restauro do órgão há dois anos, quando este estava “todo desmontado”.

O desafio era restaurar não apenas a componente estética, mas também a identidade sonora do instrumento, em que se procurava que o som fosse “idêntico” ao original, apesar de a harmonização do órgão ser sempre um trabalho “autoral”, influenciado pela forma de ouvir de cada organeiro, aclarou.

Para além dos quatro mil tubos e da caixa desenhada por Machado de Castro, o órgão tem como especificidade a sua colocação a meio “do corpo arquitetónico” da igreja do mosteiro, o que faz com que “não tenha um refletor acústico”.

“É um caso único em Portugal e não haverá muitos na Europa”, referiu Dinarte Machado, explanando que uma das fachadas está virada para o coro, com um cadeiral de duas filas, e a outra fachada virada para “a igreja e para o povo”.

O concerto inaugural do órgão histórico realiza-se no sábado, pelas 21:00, a cargo dos organistas João Vaz, de Portugal, e Harald Vogel, da Alemanha, que “foram consultores do trabalho de restauro”, disse o organeiro.

O restauro teve um financiamento de 650 mil euros, a partir do programa regional de aplicação de fundos comunitários Mais Centro.

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