Um estudo recente alerta que milhões de europeus podem estar expostos a níveis perigosos de benzeno dentro das próprias casas devido a pequenas fugas em fogões e fornos a gás.
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A investigação, publicada na Environmental Research Letters, analisou habitações no Reino Unido, Itália e Países Baixos.
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Os resultados, citados pelo ZAP, mostram que cerca de uma em cada dez casas avaliadas apresentava concentrações de benzeno acima dos limites considerados seguros para a saúde. Esta substância química é reconhecida como cancerígena e está associada, sobretudo, ao desenvolvimento de leucemia, além de poder afetar o sistema imunitário e provocar problemas sanguíneos.
Segundo a revista New Scientist, o gás natural não contém apenas metano: inclui também compostos orgânicos voláteis, como tolueno, etilbenzeno, xileno e hexano, todos potencialmente prejudiciais. Ainda assim, o benzeno é apontado pelos especialistas como o maior motivo de preocupação.
Para compreender o risco real, investigadores do instituto PSE Healthy Energy, sediado em Oakland, nos Estados Unidos, recolheram amostras de gás em 72 habitações europeias. A análise revelou níveis de benzeno significativamente superiores aos registados nos Estados Unidos: nove vezes mais altos em Itália, 37 vezes superiores no Reino Unido e até 66 vezes maiores nos Países Baixos, país onde a situação se mostrou mais preocupante.
Um dos aspetos mais alarmantes é que muitas fugas são praticamente impossíveis de detetar pelo cheiro. O responsável pelo estudo, Drew Michanowicz, comparou a exposição ao impacto do fumo passivo de tabaco dentro de casa, alertando que o benzeno proveniente das fugas pode somar-se a outras fontes de poluição doméstica.
Especialistas independentes defendem que os resultados reforçam o crescente conjunto de evidências sobre a poluição do ar interior associada aos equipamentos a gás. Paul Monks, da Universidade de Leicester, considera que a substituição por placas de indução pode trazer benefícios duplos: reduzir riscos para a saúde e contribuir para a descarbonização, além de diminuir o perigo de incêndios ou explosões.
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