Espanha teve este ano os meses de janeiro e fevereiro com mais chuva em quase meio século, disse hoje a Agência Estatal de Meteorologia do país (Aemet).
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“O período formado pelos meses de janeiro e fevereiro [juntos] de 2026 foi o mais chuvoso em 47 anos, o que reflete o caráter extraordinário destas chuvas”, disse hoje o porta-voz da Aemet, Rubén del Campo, numa conferência de imprensa.
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O já conhecido como “comboio de tempestades” que atingiu a Península Ibérica, que provocou inundações em Portugal e Espanha, além de outros danos, e deixou 20 mortos nos dois países, traduziu-se em 11 temporais “de grande intensidade” em território espanhol entre finais de dezembro e meados de fevereiro, segundo a Aemet.
Além das chuvas, estes episódios provocaram, em Espanha, “queda de neve, ventos violentos e grandes ondas”, disse Rubén del Campo.
Devido ao mau tempo, morreram 18 pessoas em Portugal e duas em Espanha e milhares foram retiradas de casa nos dois países.
O porta-voz da Aemet referiu-se, em especial, à passagem da depressão Leonardo, no início de fevereiro, pela Península Ibérica, que provocou chuvas intensas, dizendo que tinha “a marca das alterações climáticas”.
Rubén del Campo explicou que um oceano mais quente aumenta a evaporação, ao mesmo tempo que uma atmosfera também mais quente retém “uma maior quantidade de vapor de água”, o que gera chuvas mais abundantes.
Na terça-feira, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) revelou também que o mês passado foi o fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o oitavo mais quente desde que há registos (1931).
Segundo o resumo dos boletins para o continente e para as regiões autónomas do IPMA, o mês de fevereiro caracterizou-se por ser muito quente e chuvoso no continente, com um valor médio da temperatura de 11,58 ºC (graus celsius), mais 1,72ºC em relação ao normal de referência (1991-2020). O valor mais elevado foi em 2024.
A temperatura mínima foi a sexta mais elevada desde 1931 (mais 2,59ºC do que o normal), referiu o IPMA, que indicou que entre os dias 21 e 26 de fevereiro houve uma onda de calor em quatro localidades dos distritos de Bragança e Guarda, e registaram-se 26 novos extremos de temperatura do ar.
Quanto à precipitação, desde que há registos, fevereiro foi o quinto mais chuvoso, com 241,7 milímetros (mm), o que representa mais de três vezes (329%) o valor médio de referência (1991-2020).
Em localidades como Mora, Lavradio (Barreiro) e Alvalade do Sado (Santiago do Cacém) choveu cinco vezes mais do que o normal.
Em relação ao ano hidrológico, de 01 de outubro de 2025 a 28 de fevereiro de 2026 totaliza-se 924 mm, cerca de 1,8 vezes mais precipitação do que o valor médio de referência.
É até agora o ano hidrológico mais chuvoso dos últimos 30 anos e o 6.º mais chuvoso desde 1931.
No final de fevereiro todos os concelhos de Portugal continental apresentavam valores de água no solo superiores a 60%.
Nas regiões Norte, interior Centro, e em alguns municípios do interior do Alentejo, havia valores de água no solo nos níveis de saturação, situando-se perto da sobressaturação no nordeste transmontano.
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