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Quinta ao abandono transforma-se num hotel nesta vila de Coimbra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 47 minutos atrás em 23-02-2026

Imagem: DR

A freguesia de São Silvestre, em Coimbra, ganhou um novo ponto de interesse turístico e cultural há cerca de sete anos, com a abertura do Palácio São Silvestre Boutique Hotel, um palácio senhorial do século XVIII transformado num hotel de luxo.

“Inspirámo-nos na história e no património do palácio, mas quisemos criar um ambiente contemporâneo e requintado, para que os hóspedes se sintam reis e rainhas por um dia”, explica Marta Mendes, diretora do hotel, em entrevista ao idealista/news.

O caminho até à abertura em 2019 não foi fácil. Após 18 anos encerrado, o palácio foi adquirido pelo grupo Louro Internacional em 2018. “Apesar de o imóvel já estar preparado para unidade hoteleira, tivemos de fazer grandes reparos devido a humidade e infiltrações”, refere Marta Mendes. Contudo, conseguiram preservar elementos históricos como a fachada principal, brasões, tetos trabalhados, chaminés e paredes de pedra.

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A suíte João de Ruão, por exemplo, mantém um teto de pedra original e uma decoração inspirada no arquiteto-escultor homónimo, autor do retábulo da Virgem e do Menino, atualmente no Museu Machado de Castro.

O hotel alia história a conforto, dispondo de piscina exterior, campos de ténis e padel, ginásio, parque infantil e vinhas próprias. Marta Mendes sublinha que o Palácio São Silvestre é procurado não apenas por casais e empresas, mas também por famílias, funcionando como refúgio ao turismo de massas.

O alojamento oferece diversas tipologias, desde quartos nobres até suítes temáticas como a Suíte da Condessa, recriando a atmosfera de glamour e história do século XVIII. A experiência é complementada com o restaurante Palativm, que reinventa iguarias tradicionais, e a Sanvs Clinic, clínica de bem-estar e estética.

A reabertura do palácio teve um impacto direto na freguesia de São Silvestre. “Antes, esta quinta estava ao abandono e afastava visitantes. Hoje, tornámo-nos uma mais-valia para a vila, agregando valor e atraindo turismo de qualidade”, sublinha.

O Palácio São Silvestre prepara-se para novas melhorias, incluindo a remodelação da Sala do Paço, do restaurante e da Sanvs Clinic, bem como a construção de um SPA. Marta Mendes destaca ainda a boa procura durante todo o ano, com estadias médias de 1,7 noites e preços entre 60 e 150 euros, consoante a época e o tipo de quarto.

A conversão de palácios antigos em hotéis de luxo é cada vez mais frequente em Portugal, permitindo preservar património histórico, gerar turismo qualificado e valorizar economicamente as localidades. “Reabilitar estes espaços é uma oportunidade de os tornar mais bonitos e úteis para a comunidade”, conclui a diretora.

O Palácio São Silvestre, residência de famílias nobres como os Cabral de Moura, Vilhenas e Cabrais, é hoje um exemplo de como história, cultura e turismo de luxo podem coexistir e impulsionar a economia local.

O próprio hotel conta a história. Foi nesta freguesia que, no primeiro quartel de Setecentos, a família Cabral de Moura e Horta mandou edificar a Quinta do Paço, atualmente Palácio São Silvestre; Detentora de uma localização privilegiada no Largo do Terreiro, no centro da freguesia de São Silvestre, o Palácio constitui uma imponente habitação barroca, construída no século XVIII; Em 1730 o herdeiro Francisco Cabral de Moura e Horta casou-se com Antónia Pereira Coutinho de Vilhena, e desta união resultou o escudo que se encontra na fachada principal.

O Palácio detêm um inigualável brasão dos Cabrais, Mouras, Coutinhos e Vilhenas (Gonçalves; Correia: 1947). Destaca-se ainda a capela particular no andar nobre, que à época, detinha um magnifico altar de talha barroca e um retábulo em calcário policromado, da autoria de João de Ruão datado de 1544, com uma representação da Virgem com o Menino, sentada em cadeira de espaldar alto, rodeada por anjos músicos.

Deve referir-se, ainda, que o retábulo pétreo e os baixos relevos originalmente integrados na capela do paço foram executados na primeira metade do século XVI, cerca de 150 anos antes da construção da Casa, desconhecendo-se a sua origem ou seja, não se sabe se o conjunto integrou alguma capela que existia anteriormente naquele local, ou se terão sido adquiridas pela família Cabral de Moura depois da construção do solar. Mas infelizmente a casa viria a sofrer diversas obras e transformações nas centúrias seguintes, chegando ao final do século XX arruinada no espaço interior, contudo felizmente foi recuperada, permitindo a todos a descoberta deste maravilhoso espaço…