Opinião

“Quero o Gonçalo da Câmara Pereira nos debates!”

Opinião | Amadeu Araújo | Amadeu Araújo | 5 meses atrás em 09-02-2024

A frase, e o meme, pululam nas redes sociais e mostram a farsa carnavalesca que por aí vai. O corso vai coxo, sem ideias, mas com carreira à vista.

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Ouvimos temas do dia-a-dia, lutas internas e externas e tudo o mais, até a Madeira quer isto de pernas para o ar. Preso aos cânones cronológicos, o maior dissolvente de governos, mascara-se, vai ao baile sénior, nada contra e lá vamos nós.

O domínio total da pantomina e uma estrada em lágrimas, de Mirando do Douro ao Corvo.

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Cá nós, o povo e senhorios destes nossos vassalos, marcamos a farra, a súcia e a intrujice. É o Carnaval, e assim sendo também “quero o Gonçalo da Câmara Pereira nos debates!”. De preferência com máscara e traje de Ribeiro Telles, para merecer o quadrado na coligação.

É que foi Ribeiro Telles quem criou as reservas Ecológica e Agrícolas e nos botou tino e ecologia na cabeça.

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E assim percebemos que do linho de Múceres, lá no Caramulo, saiam sapatilhas, feitas pela Caridade Henriques, uma idosa que integra a Associação das Mulheres Agricultoras de Castelões.

Estas sapatilhas mostram a tradição do ciclo do linho, da terra ao pano. E também as há de Burel, moda Outono Inverno.

E é preciso pensar nisto, agora que os tratores dos lavradores, que têm alguma razão, conseguiram o impensável. Deram cabo da ecologia, de que aquele senhor que aparece zangado nos cartazes não conhece o significado – não o de barba, o outro, o revolucionário de Bruxelas.

Lá se foi o pacto europeu para o clima, esquecido o “prado e o prato”, voltaram os químicos e tudo o resto. Como bem disse um espanhol, compra a 20 cêntimos vendem a dois euros. Sabemos onde está o problema, nos intermediários que metemos nas listas.

Não perceberam a valorização e a União Europeia tem que por trancas à porta. Se não cumpres as regras, vade-retro.

A Política Agrícola Comum é um dos maiores sucessos da União Europeia. São 6, 7 mil milhões, a cada sete anos, mas os nossos lavradores, não todos, tornaram-se rendeiros. O subsídio é receita e não investimento.

Regras de segurança alimentar, defesa do ambiente e bem-estar social. É o que é preciso, como disse António Campos, que esteve nestas negociações, “contra os subsídios” e a favor de “ajudas comunitárias ao investimento, à produção e à segurança da produção alimentar”.

Infelizmente em tempos de folia, o oportunismo e populismo dão nisto.

Agora que o debate se faz com todos, é tempo de levarmos a política a sério.

Vejam a serra da Estrela, queimada em anos sucessivos, 155 milhões de euros para duas barragens, infraestruturas e equipamentos e nem um chavo para as árvores.

Nestes dias em que a literatura sobe ao Caramulo, o festival “Montanha Literária”, era bom irmos todos ouvir Richard Zimler e “a importância do luto das personagens e nas aldeias”.

Bem sei que o “Enterro do Rico Irmão” é só terça-feira, mas o luto já leva 50 anos no arcabouço.

Claro que disto não falam eles e eu, não tendo o Gonçalo na baderna, pego na farândola e vou à Montanha.

Comprar uns chanatos, umas sapatilhas, de linho ou burel que, como diria Aquilino, nada há, que umas boas bengaladas não resolvam. Aceito a bordoada e prometo rijo pontapé para resolver esta idiotice, birra ou palermice, da partidarite que nos assola.

E de caterva e mamparra, vou à folia. Bem sei dura até ao 11 de março, mas a vida são dois dias e o Carnaval três.

OPINIÃO | AMADEU ARAÚJO – JORNALISTA

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