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“Quem está habituado aos barulhos da cidade… aqui é um paraíso”: Maria Helena e o segredo da felicidade em Mourísia
Sete dias após a passagem do Presidente da República, a pequena aldeia de Mourísia, no concelho de Arganil, regressou ao seu ritmo habitual — lento, silencioso e marcado pela ausência de pessoas.
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Onde há poucos dias se concentravam atenções e visitas oficiais, hoje impera uma tranquilidade quase absoluta.
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Maria Helena Gonçalves, 74 anos, é uma das raras residentes. “Aqui não há quase ninguém”, resume, com naturalidade, enquanto interrompe as tarefas domésticas para conversar.
Maria Helena nunca saiu verdadeiramente da aldeia. As únicas exceções foram visitas a Lisboa e Coimbra, onde tem família. “Vivo aqui sozinha”, conta, descrevendo um quotidiano simples: cuidar da casa, tratar das galinhas e da pequena horta.
Apesar do isolamento, garante que nunca se sentiu sozinha. “Quem está habituado aos barulhos da cidade… aqui é um paraíso.”
Durante os incêndios que afetaram a região, Maria Helena não estava na aldeia no dia mais crítico. Tinha ido visitar uma irmã hospitalizada e acabou por não conseguir regressar de imediato. Ainda assim, não perdeu bens nem a casa. “Fosse o que fosse”, diz.
A presença do Presidente da República foi sentida como um momento importante para os poucos habitantes. “Foi bom”, afirma Maria Helena.
Para os residentes, o gesto representou reconhecimento: uma forma de dizer que a aldeia não foi esquecida. Ainda assim, uma semana depois, os sinais dessa passagem já quase desapareceram — a bandeira colocada na altura já não está, restam apenas marcas do incêndio.
Mesmo assim, Maria Helena relativiza: “Agora tem que ir a outros. Não é só Mourísia.”
Com apenas cerca de uma dezena de habitantes permanentes — número que cresce no verão com o regresso de emigrantes e familiares — enfrenta o desafio comum a muitas aldeias do interior: o despovoamento.
Maria Helena ficou, tal como a irmã mais velha. Os outros oito irmãos partiram “para lutar pela vida” para outras cidades e alguns no estrangeiro.
Hoje, continua a ser uma espécie de guardiã da aldeia e da memória familiar. E, apesar da idade, mantém-se firme: “Só saio quando as condições assim obrigarem.”
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