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Quem com ‘frame’ dá com ‘frame’ tira e Catarina Costa sai de cena nos mundiais de judo

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Vinte segundos bastaram para Catarina Costa ver a arbitragem dos Mundiais de judo em Tashkent reverter uma pontuação que lhe daria o triunfo e quase no movimento seguir ser a sua adversária a vencedora.

Catarina Costa sabia que entrava no seu quarto Mundial com um sorteio pouco favorável, em que tinha pela frente a alemã Katharina Mez, judoca com quem já tinha lutado e costumava sentir alguma dificuldade, com duas vitórias para cada.

A portuguesa, que chegou a Tashkent com o título de vice-campeã europeia e segunda cabeça de série em -48 kg, era uma das favoritas a seguir em frente, mas a resistência encontrada pesou, e muito, na balança.

Catarina Costa até teve a iniciativa de combate na Humo Arena, mas as novas regras – que já a fazem ponderar uma mudança no seu estilo de judo -, levaram a arbitragem a penalizá-la com dois castigos ainda o combate ia a meio.

Para a judoca essa é a única justificação para os dois ‘shidos’ que viu, com a arbitragem a entender que as suas tentativas de ataque, muitas vezes a arrastar e cair de joelhos, não são mais do que falsos ataques, punidos com castigo.

“Se calhar tenho de repensar o meu estilo de judo”, disse no final a judoca de Coimbra.

Mas depois dos castigos, que a deixaram muito condicionada na gestão dos movimentos quando ainda faltava meio período de combate, Catarina Costa não pôde arriscar tanto e viu-se forçada a um prolongamento da luta no tatami 2.

E foi nesse período, de um tudo ou nada, em que quem pontua vence, que vieram as decisões mais pesadas e novamente um escrutínio implacável da arbitragem para com a portuguesa.

Aos 24 segundos do ‘golden score’, o equivalente a prolongamento após os quatro minutos iniciais, Catarina Costa projetou lateralmente a alemã, com a arbitragem a dar numa primeira análise ponto para a portuguesa.

Nas novas regras, a projeção precisa de ter o alinhamento da cintura com o ombro, razão pela qual os juízes percorrem imagem a imagem (frame) para determinar a validade da queda, se é suficiente para pontuar.

Depois de uma primeira validação do juiz de tapete, a mesa reverteu, deixando Catarina Costa sem a alegria que sentira dois segundos antes.

“Precisei de me focar novamente, foi dois segundos até perceber”, disse a judoca.

Com tudo novamente igual, foi na resposta que Menz conseguiu ser ela a pontuar: um ‘waza-ari’ num movimento muito similar ao da portuguesa, mas desta vez com o mérito da alemã em conseguir o alinhamento necessário para que fosse contado.

Mesmo antes da entrada de Catarina Costa em competição tinha sido Rodrigo Lopes a abrir a participação dos portugueses, com o judoca de -60 kg a encontrar novamente este ano o sul-coreano Harim Lee, com quem tinha perdido em junho num Grand Slam.

Rodrigo Lopes não conseguiu criar perigo ao sul-coreano, num combate em que o luso-brasileiro sofreu dois castigos e esteve também condicionado, ficando em desvantagem primeiro por ‘waza-ari’ e depois fechando com ‘ippon’.

A perder a um minuto do final, o judoca português teve de se expor mais e foi já nos últimos momentos, na luta no chão, que sofreu o revés final, com uma imobilização de Harim Lee, a seis segundos dos quatro minutos.

Os Mundiais de judo decorrem até 13 de outubro na Humo Arena em Tashkent, com Portugal a ter ainda seis judocas em prova: Joana Diogo (-52 kg), Bárbara Timo (-63 kg) e Rochele Nunes (+78 kg), João Fernando (-81 kg), Anri Egutidze (-90 kg) e o bicampeão mundial Jorge Fonseca (+100 kg).

por Rita Moura, da agência Lusa

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