Economia
Quebra de vendas na Feira dos 23 em Coimbra: “O bacalhau era dos pobres, agora é dos ricos”
Na banca de venda de bacalhau na Feira dos 23, numa das últimas antes da Páscoa, o vendedor Carlos Carapinha descreveu um cenário de aumento de preços, quebra na procura e pressão crescente dos custos.
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Segundo Carlos Carapinha, há opções para diferentes carteiras, embora os valores tenham subido significativamente: “Desde 3,5 até 27,5 o quilo”. O comerciante explica ainda que existem produtos ainda mais caros dentro da mesma banca: “Os lombos de bacalhau… é o mais caro, que é para 47,50 euros”.
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O impacto da subida é sentido diretamente pelos consumidores, que procuram sobretudo as opções mais baratas. “As pessoas queixam-se bastante que não fica acessível. Antigamente era o que comia dos pobres, agora infelizmente é dos ricos”, disse.
Na prática, muitos clientes acabam por escolher alternativas mais económicas dentro da banca, como rabos, cachaços ou caras de bacalhau.
Apesar da procura típica da época pascal, o vendedor aponta uma quebra significativa no movimento: “Muito mais, uma quebra de 50%.”
Segundo Carlos Carapinha, as pessoas continuam a aparecer, mas compram menos ou optam por cortes mais baratos devido ao preço elevado.
O comerciante, que afirma fazer cerca de 22 feiras por mês, sublinha também o peso dos combustíveis no negócio: “Infelizmente, temos suportar nós a diferença dos preços combustíveis.”
A pressão dos custos obriga a um equilíbrio difícil entre manter preços competitivos e garantir a viabilidade do negócio.
Nem todos os produtos seguem a tendência de subida. O azeite, por exemplo, terá registado descida: “O azeite até está mais em conta agora. Baixou bastante, sim.”
Ainda assim, existem versões mais económicas com mistura, vendidas a metade do preço do azeite puro.
Carlos Carapinha trabalha na atividade há mais de 40 anos, num negócio familiar que envolve também a esposa e a filha, mantendo presença regular em feiras há décadas.
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