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Ensino

Quase um terço dos jovens graduados são sobrequalficados para a profissão

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Cerca de 30% dos jovens graduados com idades entre os 25 e os 34 anos, em Portugal, são considerados sobrequalificados para a profissão que exercem, segundo o Livro Branco “Mais e Melhores Empregos para os Jovens” divulgado hoje.

Segundo o estudo realizado pela Fundação José Neves, pelo Observatório do Emprego Jovem e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para Portugal, há um “desfasamento entre as expectativas dos jovens e as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho, que impacta a satisfação e realização pessoal com o emprego”.

Esta realidade “expressa-se na sobrequalificação de muitos jovens nas profissões que exercem”, realça o Livro Branco.

De acordo com o documento, em 2019, entre os jovens trabalhadores com idades entre os 25 e os 34 anos que completaram o ensino superior, 30,1% eram sobrequalificados para a profissão que exerciam, um acréscimo em seis pontos percentuais face a 2010 (24,1%).

“Esta sobrequalificação é particularmente saliente no setor das plataformas digitais (‘crowdwork’), que emprega muitos jovens e tem vindo a expandir-se significativamente ao longo da última década e em particular com a pandemia da covid-19”, pode ler-se no Livro Branco.

O documento refere que quase metade dos jovens em Portugal (48%) tinha o ensino superior em 2021 e os mestrados correspondiam a 38% dos diplomados entre os 24 e 34 anos de idade, um dado comparável com 14% em 2011.

Apesar do nível elevado de qualificações, o emprego jovem em Portugal “continua a ser de baixa qualidade”, uma tendência acentuada durante as crises económicas, sendo a vulnerabilidade do emprego dos jovens, mesmo dos mais qualificados, também verificada na transição para o mercado de trabalho, indica o estudo.

Desde 2015, a taxa de desemprego dos jovens com menos de 25 anos tem sido mais do dobro da população em geral e, durante a pandemia de covid-19, chegou a ser 3,5 vezes mais.

Esta evolução negativa explica-se, em parte, segundo o relatório, pela percentagem de trabalhadores jovens (15-24 anos) com contratos a termo certo, de 53,9% em 2021, e pelo facto de, durante a pandemia, ter havido elevada destruição deste tipo de emprego, sobretudo na hotelaria e restauração.

Por outro lado, as medidas do Governo para contrariar os efeitos da pandemia, como o ‘lay-off’ simplificado, “incentivaram as empresas a não despedir trabalhadores, mas não asseguraram que estas renovavam os contratos temporários”, pode ler-se no Livro Branco.

Para os autores do Livro Branco, “a articulação entre sistema de ensino e mercado de trabalho deve ser uma prioridade, nomeadamente através do reforço e diversificação das ofertas formativas, mas também através do envolvimento dos empregadores na comunicação e no desenvolvimento de competências procuradas”.

O coordenador do Observatório do Emprego Jovem e professor no ISCTE, Paulo Marques, afirma que “melhorar a qualidade do emprego jovem requer acelerar a modernização da economia portuguesa, tornando-a mais especializada em setores intensivos em conhecimento” e, para isso, “as políticas ativas de emprego, industrial, de apoio às empresas, de ciência e tecnologia e de educação têm de estar alinhadas com esse desígnio estratégico”.

Já o presidente da Fundação José Neves, Carlos Oliveira, reconhece os “avanços de Portugal nos últimos anos ao nível da escolaridade da sua população”, mas alerta que “há ainda um longo caminho a percorrer para dotar os jovens de hoje de melhores empregos, que lhes permitam realizar-se a nível profissional e pessoal”.

O Livro Branco “Mais e Melhores Empregos para os Jovens” será apresentado publicamente no início do próximo ano, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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