Justiça
Quarto guardado em caixas: O caso do rapaz que desapareceu no dia da Assunção de Nossa Senhora e que ainda assombra
Imagem: DR
Jorge Sepúlveda, natural de Massarelos, no Porto. Tinha 14 anos quando desapareceu em 1991.
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Naquele dia era feriado, celebração da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto). O jovem levantou-se cedo e saiu de casa sem que os pais soubessem.
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Não era a primeira vez que o fazia, mas a diferença daquela vez foi que não voltou. Foi visto a caminho do Tamariz por um colega, porém nunca mais se soube nada dele.
Maria Manuela e Pedro Augusto Sepúlveda já têm cerca de 70 anos e mantêm a esperança de reencontrar o filho Jorge Manuel, desaparecido quando tinha apenas 14 anos. Décadas depois, é tudo o que sabem sobre ele. “Nós nunca deixámos de sentir saudades”, admitiu a mãe, na altura, ao Correio da Manhã. “Vivemos com a sensação de que ele simplesmente se afastou.”
O quarto de Jorge está intacto, guardado em caixas: a cama, o armário com os desenhos e os marcadores permanecem preservados. A família chegou a mudar de casa para aliviar o sofrimento, mas nunca deixou de procurar o filho. “Era insuportável ter a porta do quarto fechada. E aberta ainda doía mais”, recorda a progenitora.
O casal continua frustrado com a forma como as autoridades lidaram com o caso. “Havia apenas dois inspetores da PJ e uma deles, uma senhora, não saía à noite. Apesar de simpáticos, nunca conseguiram esclarecer o desaparecimento”, lamenta.
Na manhã do feriado de 15 de agosto de 1991, o jovem levantou-se cedo e dirigiu-se à cozinha para experimentar o forno. Jorge regressou ao quarto sem comentar. Pouco depois, terá descido pela varanda e fugido pela quinta da casa em São Pedro do Estoril, possivelmente em direção à praia. Uma colega de escola terá visto-o junto ao paredão em direção ao Tamariz.
Maria recorda que o filho tinha uma forma ligeira de autismo, mas possuía uma inteligência superior. Não era a primeira vez que se afastava, mas naquela manhã a situação tornou-se crítica, exigindo ação imediata e contacto com as autoridades.
A família não poupou esforços: saíram todas as noites à procura, chegaram a dar dinheiro a jovens de rua e percorreram locais onde Jorge Manuel poderia estar.
Apesar das décadas de ausência, a esperança de reencontrar Jorge Manuel permanece viva na família Sepúlveda.
A fotografia de Jorge Manuel já não consta do site da PJ no que diz respeito a pessoas desaparecidas.
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