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Coimbra

Quanto mais se arrastar a crise maior será o impacto na fecundidade 

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A investigadora Lara Tavares, do Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP), advertiu hoje que quanto mais se arrastar a crise de saúde pública e a económica, maior vai ser o impacto na fecundidade devido à incerteza no futuro.

Lara Tavares falava à agência Lusa a propósito dos dados do “Teste do Pezinho”. hoje divulgados pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge, que indicam uma quebra de nascimentos em 2020 (85.456), o valor mais baixo desde 2015 (85.056),

A investigadora disse é “sempre difícil” fazer uma avaliação de ano para ano, “até porque 2020 foi um ano muito atípico por causa da pandemia”, devendo antes olhar-se para as tendências.

A natalidade tem vindo a descer consistentemente desde 1976, sendo que em 2009, na sequência da crise de 2008, houve uma quebra importante e pela primeira vez registou-se menos de 100 mil nascimentos.

“A queda continuou e foi ainda maior em 2011, tendo sido contínua durante o tempo de intervenção da ‘Troika’ o que mostra que as crises económicas têm impacto na natalidade e na fecundidade”, tendo havido depois uma recuperação a partir de 2015.

Segundo a investigadora, estes dados indiciam que o crescimento natural, que resulta da diferença entre os nascimentos e os óbitos, tenderá a ser cada vez menor e mesmo negativo.

“Se olharmos para a crise de 2008, nós percebemos que quanto mais grave for a crise económica provocada pela pandemia, mais negativo será o impacto na fecundidade. Portanto, quanto mais se arrastar esta crise de saúde pública, e também económica, maior vai ser o impacto na fecundidade”, advertiu.

Para Lara Tavares, é muito importante monitorar o que vai acontecer à fecundidade, justificando que a “baixa natalidade” é “uma questão séria” que deve ser tida em conta na elaboração de políticas públicas para minimizar os principais problemas da baixa da fecundidade.

Em Portugal, “um dos principais problemas” relaciona-se com a incerteza no mercado de trabalho, uma questão que afeta os jovens que estão a começar a sua vida e estão na idade de ter filhos.

“A incerteza gerada pela globalização, nomeadamente a crescente incerteza nos mercados de trabalho, tem vindo a atrasar a propensão das pessoas a estabelecer relacionamentos de longo prazo, como seja os da conjugalidade ou da paternidade”, defendeu a professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

“Isto tem de nos fazer refletir”, sustentou, elucidando com as projeções da população portuguesa do Instituto Nacional de Estatística (INE) que apontam para uma perda de população de dois milhões de habitantes (1/5 da população) em 2080.

Mas, observou, o que é “ainda mais preocupante” é que o cenário do INE assenta na hipótese de recuperação moderada da fecundidade, o que significa que nesse cenário a fecundidade iria aumentar gradualmente até atingir 1.59 em 2080.

“Nós estamos agora em 1.42, o que quer dizer que se a fecundidade em vez de aumentar, voltar a diminuir, as projeções da população, que serão refeitas, irão ter isso em conta e irão mostrar que a quebra de população será maior, e será tanto maior quanto maior for a quebra na fecundidade”, salientou.

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