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Política

PSD defende estabilidade mas acusa Governo de criar “pandemia paralela” na educação

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O PSD defendeu hoje que a estabilidade política é o cenário que serve melhor os portugueses “neste momento”, mas acusou o Governo de ter criado uma “pandemia paralela” na educação por “preguiça, impreparação” e até “negligência”.

No debate sobre a renovação do estado de emergência no parlamento, o vice-presidente da bancada social-democrata Luís Leite Ramos salientou que foi em nome do valor da estabilidade política que o PSD votou sempre a favor da declaração do estado de emergência desde o início da pandemia de covid-19.

“Sabemos que nada de bom viria para Portugal se, a uma crise de saúde pública com gravíssimas consequências sociais e económicas, se juntasse uma crise política. Poderia ser o mais útil para o partido. Mas nunca foi opção. Para nós, os portugueses estiveram e estão sempre primeiro. E a estabilidade política é o que melhor poderá servir-lhes neste momento”, afirmou.

No entanto, para o deputado, a essa estabilidade deveria corresponder um “governo responsável e ativo, solidário e presente, assertivo e coerente”

“Mas, infelizmente, não é a isso que temos assistido. A degradação dos serviços públicos tem sido flagrante no último ano”, criticou.

O deputado e vice-coordenador para Ensino Superior, Cultura e Ciência do Conselho Estratégico Nacional (CEN) do partido centrou as suas críticas no setor da educação.

“Corre neste setor uma pandemia paralela. Um vírus de ineficácia, insuficiência e degradação que, se não for rapidamente isolado – porque identificado já está, há muito tempo – poderá correr o risco de se propagar. E, esse sim, pode levar décadas a erradicar. Como as décadas de construção que já destruiu”, afirmou.

Em concreto, o deputado criticou que “Portugal não tenha tomado uma só medida de fundo para compensar o impacto do encerramento das escolas nas aprendizagens dos alunos” ou que os alunos do secundário que querem fazer exames de melhoria de nota “estejam, pelo segundo ano consecutivo, impedidos de o fazer”.

“No primeiro ano, poderiam ter-se alegado problemas de logística. Agora, só se pode alegar preguiça, desleixo e impreparação. Que geração seria esta se dependesse apenas do que o governo faz por ela? Uma geração insuficiente”, criticou.

Para o PSD, os pais, os alunos e os professores deram “verdadeiras lições de aprendizagem” ao Governo.

“À sua maneira, foram gerindo, caso a caso, a melhor forma de responder às dificuldades (…) Porque mesmo sem as condições que lhes prometeram, usando os seus meios próprios e sacrificando a sua vida pessoal, os professores deram o seu melhor para gerir a distância e… a mentira”, apontou.

Para Luís Leite Ramos, professores e famílias “foram enganados” com “promessas vãs, números ocos e datas que foram sempre sendo adiadas”, referindo-se à contratação de assistentes operacionais ou à compra e distribuição de computadores.

“Hoje, devemos a muitos professores e pais os sacrifícios que fizeram para que os alunos não estagnassem. Será muito injusto que o Estado não lhes reconheça esse mérito e não se responsabilize pelas suas falhas monumentais na Educação”, defendeu.

O deputado do PSD aproveitou a sua intervenção para deixar um agradecimento aos portugueses que “têm conseguido gerir o seu dia-a-dia, ajustar as suas rotinas, organizar-se entre os seus diferentes papéis, com dificuldades, mas sem esmorecer”.

“Agradecer aos portugueses que respeitam as normas e continuam a permitir que a sua liberdade seja condicionada por um bem maior e de todos. Aos portugueses que sacrificam, tantas vezes, o seu bem-estar e o tempo com as suas famílias para ajudar os outros. Aos portugueses que não desistem de lutar, mesmo quando os números são negros, as notícias são más e, no horizonte, paira uma enorme nuvem de incerteza”, afirmou, deixando a todos um “obrigado”.

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