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Proteínas descobertas por investigadores de Coimbra convertem células da pele em sentinelas do sistema imunitário

Notícias de Coimbra | 5 anos atrás em 07-12-2018

 

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 Investigadores da Universidade de Coimbra descobriram três proteínas que convertem células da pele em células que funcionam como sentinelas do sistema imunitário, uma investigação que pode abrir novas perspetivas na imunoterapia contra o cancro, foi hoje anunciado.

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O estudo, liderado por um grupo de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), é o tema de capa da edição deste mês da revista Science Immunology, que foi hoje para as bancas.

Este trabalho de investigação, com a duração de três anos, apostou no potencial da reprogramação celular para, pela primeira vez, controlar as respostas do sistema imunitário.

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Segundo informações da UC, foram descobertas três proteínas (PU.1, IRF8 e BATF3) capazes de converter células da pele em células dendríticas (CDs), conhecidas como as sentinelas do sistema imunitário, porque são capazes de procurar e capturar agentes patogénicos e células cancerígenas.

“A investigação demonstrou que as células dendríticas induzidas [com uso das proteínas] apresentam uma notável semelhança com as CDs naturais do organismo”, descreve Filipe Pereira, coordenador do estudo.

O investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular acrescenta que as células obtidas capturam os elementos estranhos, digerindo-os em pequenos pedaços, conhecidos como antigénios.

“Este processo de vigilância e captura permite ensinar as células T (os soldados do nosso sistema imunitário) quais são os agentes perigosos e como podem ser atacados”, descreve o coordenador do estudo.

Esta investigação do CNC pode dar origem a novas estratégias de imunoterapia para o tratamento do cancro, vaticinam os investigadores, lembrando a técnica galardoada este ano com o Prémio Nobel da Medicina/Fisiologia, na qual os componentes do sistema imunitário do próprio doente são utilizados para direcionar um ataque às células cancerígenas.

“Usando células reprogramadas, a probabilidade de rejeição do organismo será menor, por estas serem geradas a partir das células da pele do próprio paciente”, descrevem.

O coordenador do estudo avança que há mais caminhos a explorar.

“Numa perspetiva mais criativa, pretendemos também adaptar a famosa estratégia utilizada pelos gregos para derrotar os troianos, na obra ‘Ilíada’ de Homero: queremos desenvolver um ‘Cavalo de Tróia’, baseado em reprogramação celular, para administração no interior de tumores sólidos”, avisa Filipe Pereira.

Deste modo, acrescenta, “ir-se-á introduzir as três proteínas identificadas neste estudo nas células do tumor, convertendo-as em CDs, forçando o próprio cancro a apresentar as suas características estranhas e perigosas às células do sistema imunitário, o que poderá contribuir para a sua erradicação”.

Na sequência destes resultados, a equipa pretende averiguar quais são os mecanismos genéticos através dos quais as três proteínas identificadas impõem a identidade celular de uma célula dendrítica. A investigação irá ainda utilizar este método de reprogramação celular para perceber como outros tipos de CDs, com funções especializadas, são geradas.

Por fim, apresenta-se o desafio de validar a utilidade clínica das CDs geradas como uma nova imunoterapia para o cancro.

“Tendo em conta o potencial desta tecnologia no mercado em crescimento da imunoterapia oncológica”, a equipa submeteu em abril de 2017 um pedido de patente internacional para proteger esta propriedade intelectual de forma a assegurar o seu desenvolvimento comercial, o que no futuro pode levar esta tecnologia aos doentes com cancro, conclui o investigador.

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