A Câmara Municipal de Coimbra vai analisar, na reunião do executivo desta segunda-feira, 23 de fevereiro, a proposta de subconcessão da Estação Nova ao Município por um período de 50 anos, com vista à sua reabilitação e reconversão funcional.
O investimento previsto ascende a 16 milhões de euros e deverá ser executado num prazo máximo de sete anos
A proposta prevê a celebração de um contrato entre o Município e a IP Património – Administração e Gestão Imobiliária, S.A., para a subconcessão de uso privativo de uma área de 5.286 metros quadrados, onde se insere o edifício de passageiros da Estação Nova, no Ramal da Lousã, atualmente desativada.
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A Estação Nova, construída entre 1925 e 1931, é uma obra de referência da arquitetura ferroviária do início do século XX, da autoria dos arquitetos Cotinelli Telmo e Luís Cunha. O edifício está classificado como Monumento de Interesse Público desde 2013 e integra ainda a Zona Especial de Proteção da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO.
Segundo a memória descritiva, o objetivo passa por transformar o imóvel num equipamento urbano multifuncional, articulando inovação, desenvolvimento económico, cultura e fruição pública, numa lógica de reativação da frente ribeirinha do Mondego e dinamização da Baixa de Coimbra
A intervenção está estruturada em duas fases principais. Numa primeira etapa, será reabilitada a Ala Poente do edifício, com cerca de 400 metros quadrados, para instalação do Hub de Desenvolvimento da Agência Municipal para o Investimento e Inovação – GoCoimbra. Este espaço deverá acolher iniciativas ligadas à captação de investimento e inovação tecnológica.
Numa segunda fase, está prevista a reabertura progressiva da Estação à cidade, com a criação de espaços para atividades culturais, promoção de produtos locais e regionais, serviços, experiências turísticas e um espaço-memória dedicado ao legado ferroviário.
O plano contempla ainda a recuperação da antiga zona de plataforma, incluindo a reabilitação da estrutura metálica existente, a remoção da cobertura em fibrocimento com amianto e a criação de uma nova praça pública aberta ao rio Mondego
O montante global estimado de 16 milhões de euros inclui trabalhos de reabilitação estrutural, reforço de infraestruturas, estudos técnicos, intervenções arqueológicas, conservação e restauro, bem como a qualificação do espaço público envolvente
O Município considera essencial que a subconcessão tenha a duração de 50 anos, de forma a garantir a viabilidade financeira e a sustentabilidade do projeto, permitindo o retorno económico, social e urbano do investimento.
Caso a proposta seja aprovada pelo executivo, seguirá para apreciação e autorização da Assembleia Municipal, bem como para autorização da assunção de compromissos plurianuais, nos termos legais aplicáveis.
A autarquia defende que esta intervenção constitui um projeto de elevado interesse público, com impacto estruturante na revitalização urbana e na valorização do património ferroviário da cidade.