A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) recebeu, em outubro de 2025, uma sessão do projeto “Mais que um Jogo”, iniciativa que leva mensagens de literacia e prevenção ao público estudantil sobre jogos e apostas online.
A ação decorreu no campus do Campo Grande, em sala identificada pela faculdade (8.2.39), e integrou-se no esforço contínuo do Turismo de Portugal, através do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) e da Direção de Gestão de Competências e Capacitação (DGCC), com o apoio do ICAD.
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O que é o “Mais que um Jogo” e por que regressa ao ensino superior
Criado para dialogar com públicos que já vivem uma grande parte da sua vida no digital, o “Mais que um Jogo” regressa aos campus com um formato de sensibilização direta. Com sessões presenciais que explicam o funcionamento do ecossistema regulado em Portugal, os riscos associados ao jogo a dinheiro e as ferramentas de proteção disponíveis.
O objetivo declarado é informar para prevenir, sem moralismos, usando exemplos concretos de comportamentos no online e no presencial, bem como esclarecendo dúvidas frequentes sobre jogos de fortuna ou azar, apostas desportivas e modalidades praticadas na internet.
Em Portugal, a regulação e supervisão cabem ao SRIJ, estrutura do Turismo de Portugal, que tem reforçado a vertente pedagógica. Esse foco é particularmente relevante quando se consideram práticas hoje comuns entre estudantes, desde as apostas em eventos desportivos até jogos que envolvem perícia e estratégia.
O poker online, por exemplo, é um jogo muito popular no país e que oferece uma modalidade ao vivo com transmissões de alta definição e um fator social. O uso de tecnologia de ponta é outro atrativo. Por isso a mensagem central do projeto é o jogo responsável.
A sessão de 22 de outubro na FCUL: Quem esteve e o que foi abordado
Na FCUL, a ação foi publicitada pela própria faculdade e descrita como uma “Ação de sensibilização sobre jogo responsável”, com indicação da data e da sala, e um apelo direto aos estudantes para se informarem sobre jogos, apostas online e jogo em casinos e bingos. A nota institucional confirma o enquadramento e a natureza pedagógica do encontro, alinhada com outras ações da SRIJ.
O formato destas sessões tende a privilegiar a proximidade. Equipas técnicas explicam o funcionamento do mercado legal, as diferenças entre operadores licenciados, as ferramentas de controle, as práticas de verificação de idade e as políticas de jogo responsável exigidas pelo regulador.
Em articulação com estruturas internas das universidades, como gabinetes de apoio psicológico, as sessões permitem ainda orientar casos concretos, garantindo confidencialidade e encaminhamento adequado. A escolha do público universitário não é aleatória.
Dados do ICAD de julho de 2025, mostram que entre os jovens de 18 anos em Portugal seis em cada dez jogaram online no último ano. E entre um a dois em cada dez fizeram apostas com dinheiro, num contexto em que a maioria usa a internet quatro ou mais horas por dia.
Ainda que jogar online aqui inclua videojogos sem apostas, a proporção que já entrou no universo do jogo a dinheiro justifica intervenções educativas regulares e dirigidas. Em paralelo, o mercado licenciado tem crescido e isso exige literacia.
Só no 2.º trimestre de 2025, a atividade de jogos e apostas online gerou 287 milhões de euros de receita bruta (GGR) em Portugal, de acordo com o SRIJ; no 1.º trimestre de 2025, o valor foi 284,7 milhões. Estes números contextualizam o alcance do fenómeno e reforçam a utilidade de iniciativas como essas.
Um roteiro que se alargou: De escolas do Turismo de Portugal a várias IES
O “Mais que um Jogo” não começou na FCUL, nem se esgota nesta ação. Em dezembro de 2024 e ao longo de 2025, o SRIJ tem comunicado sessões em escolas do Turismo de Portugal e em instituições de ensino superior, culminando agora neste regresso às universidades.
A estratégia já estava anunciada publicamente. O ICAD indicou, no final de 2024, a intenção de alargar o projeto em 2025 a outras IES e às restantes Escolas de Hotelaria e Turismo, reforçando a mensagem de prevenção junto do público jovem. Entre os registos oficiais está, por exemplo, a sessão na EHT Coimbra em 14 de maio de 2025.
A articulação com comunidades académicas permite adaptar as sessões à realidade de cada campus, privilegiando exemplos próximos da vivência dos estudantes e horários compatíveis com a vida letiva. Em Lisboa, a divulgação feita pela FCUL está em linha com a missão de serviço público do projeto.
A experiência acumulada noutras escolas e IES facilita a replicação do modelo. Equipas do SRIJ/DGCC deslocam-se às instituições, coordenam com serviços internos e asseguram sessões abertas, onde se esclarecem conceitos, se desmontam mitos sobre fórmulas para ganhar e se explicam processos formais, da verificação de idade à autoexclusão.