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Coimbra

Projeto de Coimbra cria regras contra risco e efeitos do fogo florestal em zona industrial

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Um projeto para definir regras para a construção de zonas industriais, no sentido de atenuar os efeitos e a sua exposição aos incêndios florestais, envolvendo designadamente autarquias e a academia, foi hoje apresentado em Coimbra.

Denominado Indu Forest Fire, o “projeto de investigação inovador”, hoje apresentado na sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) Região de Coimbra, pretende “criar diretrizes para a construção de zonas industriais, tendo em vista a mitigação do risco de incêndio florestal, através da combinação das componentes do sistema de construção e da área envolvente”.

O estudo vai ser desenvolvido por uma parceria constituída pela CIM Região de Coimbra, Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade (ITeCons) da Universidade de Coimbra.

Os grandes incêndios florestais registados nas últimas décadas na Europa e, em especial em Portugal, “evidenciaram a fragilidade das zonas urbanas, onde se incluem as industriais, existentes na interface urbano-florestal”, como revelaram em 2017 as áreas industriais de Mira, Tocha (Cantanhede) e Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, ou de Mortágua e Oliveira de Frades, no distrito de Viseu.

Estas zonas industriais vão, por isso, ser objeto de estudo, no âmbito do projeto, designadamente no sentido de compreender o modo como o fogo se comportou ali e que medidas podem ser adotadas nestas e novas zonas industriais no sentido de reduzir a sua exposição ao risco de fogo e de atenuar os seus efeitos (Oliveira de Frades não integra a CIM Região de Coimbra, mas será estudada até pela dimensão que os fogos de 2017 atingiram ali).

“É muito importante estudar as zonas industriais” e sua relação com os incêndios florestais, onde se registaram e poderá voltar a haver “prejuízos muito avultados” e não apenas no plano estritamente económico, sustentou, na sessão de apresentação do projeto, João Paulo Rodrigues, do Itecons, sublinhando que “atrás de cada indústria estão trabalhadores” e atrás destes “estão famílias”.

“Este consórcio de investigação científica não tem capacidade para legislar”, mas pode propor diretivas, salientou.

Além de caracterizar as cargas combustíveis “em redor de cada zona industrial e no seu interior”, o projeto pretende, numa primeira fase, perceber o que aconteceu em cada uma daquelas zonas industriais para terem ardido, e, depois, apontar meios de mitigar o risco e os efeitos do fogo, explicitou Joaquim Sande Silva, da Escola Superior Agrária do IPC.

“Muitas casas ardem não porque o proprietário não limpou o terreno à sua volta”, mas porque foram atingidas por “uma fagulha vinda de longe que cai no local errado à hora errada”, destacou o especialista.

O abate de árvores à volta das casas e o impedimento de copas de árvores contíguas podem não ser a melhor forma de defender uma casa do fogo, admitiu Sande Silva. As copas podem proporcionar mais humidade entre elas e o solo e retardar a progressão das chamas, referiu o investigador, questionando a legislação em vigor e para a qual este estudo vai, com certeza, concluir pela vantagem de alterações ou criação de novas regras.

Com a duração de três anos, o projeto começará a apresentar conclusões e propostas dentro de um ano e à medida que forem validadas pelo consórcio, algumas das quais na perspetiva de virem a serem submetidas a comparticipação financeira europeia, no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio, adiantou José Carlos Alexandrino, presidente da CIM Região de Coimbra e da Câmara de Oliveira do Hospital.

Perante as constantes e profundas mudanças que se vivem, “precisa-se cada vez mais da academia junto do território” para a existência de “respostas efetivas” para as situações com que vamos sendo confrontados, sustentou Jorge Brito, secretário-geral da CIM, durante a mesma sessão em que também participou Pedro Lopes, da ANEPC.

“É fundamental sabermos se estamos a fazer bem e como nos devemos adaptar e mitigar os efeitos de uma realidade em constante mudança”, concluiu Jorge Brito.

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