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Coimbra

Projecto pretende fixar jovens nos territórios de montanha

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A associação BLC3, Campus de Tecnologia e Inovação, de Oliveira do Hospital, e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) estão a desenvolver um projeto para valorizar os territórios de montanha através da bioeconomia.

João Nunes, da BLC 3

“Dar valor à terra de montanha, fixar jovens e catalisar o nascimento de empresas” são o objetivo do projeto, que resulta de “uma forte parceria que a BLC3 e o IPB têm vindo a desenvolver ao longo de dois anos”.

Pretende-se “criar um ecossistema de inovação com a integração dos eixos verticais Investigação, Ensino, Conhecimento e Empresas e o eixo horizontal Pessoas”, sublinha o presidente e fundador da BLC3, “associação sem fins lucrativos”, que desenvolve atividades de “investigação e intensificação tecnológica de excelência, incubação de ideias e empresas e apoio ao tecido económico”.

No contexto montanha, iniciou recentemente o projeto ‘3i Bioeconomia: Utilização Inteligente de Recursos e Sustentabilidade através da Inovação’, disse à agência Lusa João Nunes, presidente da BLC3.

Liderado pela BLC3, o projeto, desenvolvido em cooperação com o TagusValley (Parque Tecnológico do Vale do Tejo, de Abrantes) e o CATAA (Centro de Apoio Tecnológico Agro Alimentar, de Castelo Branco), com apoio do programa comunitário Portugal 2020, já realizou uma ação em Oliveira do Hospital sobre a ‘Bioeconomia em territórios montanha’, e está a desenvolver-se na Guarda, em Viseu e em Bragança.

São, assim, abrangidas “as mais importantes regiões de montanha de Portugal”, embora estejam ainda em análise outras áreas de montanha, refere João Nunes.

“Nestas ações tem havido uma forte articulação com outras instituições importantes para todo este processo”, como os institutos politécnicos de Coimbra (valorizando a proximidade da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital) da Guarda e de Viseu.

A ideia é “criar um ecossistema de inovação capaz de dar resposta aos desafios dos territórios de montanha, apostando fortemente na vertente da bioeconomia (valência principal da BLC3) e valorizando o posicionamento internacional e trabalho do IPB na temática ‘montanha’”.

O IPB, através do Centro de Investigação de Montanha (CIMO) tem participado ativamente em iniciativas internacionais, como a European Association of Mountain Areas (EUROMONTANA) e as redes Ibérica de Investigação de Montanha (RIIM) e de Investigação de Montanha da Lusofonia (LuMont), na qual assume um papel de liderança.

O ecossistema de inovação pretende fixar jovens e massa crítica, criar redes de colaborações para aumentar as capacidades e a massa crítica, criar condições de suporte ao nascimento de novas empresas e estreitar colaborações entre empresas e politécnicos, explicita João Nunes.

O desenvolvimento de “pilotos e demonstradores de tecnologias e conhecimentos que possibilitem captar investimento e empreendedores” e a orientação da formação para “as necessidades e oportunidades dos territórios”, desde o ensino básico ao superior, fazem igualmente parte dos objetivos do ecossistema de inovação a desenvolver em territórios de montanha, que em Portugal representam 42% da sua área.

“A bioeconomia não é uma invenção nova, apenas temos de saber valorizar melhor e de forma mais eficiente os recursos da terra”, sustenta João Nunes, salientando que ela “já foi o mais importante pilar de atividade económica do país”, que, pela vertente agrícola e florestal, chegou a explorar quase 80% do território e onde os matos e incultos representavam 09%.

Hoje, os matos e incultos representam mais de 30% do território, mas “não se pode fazer como nos anos de 1950, hoje existe tecnologia e conhecimento e pode-se desenhar as melhores políticas e ações para os territórios”.
Mas “o maior de todos os desafios” é fixar pessoas – sem elas “nada poderá ser implementado”, adverte.
“A investigação de montanha é fundamental para a criação e promoção de locais de observação científica e desenvolvimento experimental, orientados para a conservação, exploração e valorização científica dos recursos naturais, dos sistemas de agricultura e de floresta e dos produtos de montanha”, sublinha João Sobrinho Teixeira, presidente do IPB.

Assim se contribuirá para a implementação das agendas mundiais de investigação para a sustentabilidade em áreas de montanha, acrescenta.

Daí a importância das atividades multidisciplinares e estudo integrados de ecossistemas de montanha, desenvolvidos pelo CIMO do IPB, numa perspetiva que vai da Natureza aos produtos inovadores de base natural, e valorizando a biodiversidade única destes territórios e explorando tecnologias emergentes de produção agrícola.

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