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Programa inclusivo do Museu Machado de Castro é benéfico em doentes com demência

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A diretora do Museu Nacional Machado de Castro (MNMC), Lurdes Craveiro, destacou hoje os efeitos benéficos do programa inclusivo “EU no musEU”, que resultam da relação entre as obras de arte e os doentes com demência.

Na sessão de abertura do colóquio internacional “Museus e Demência: Que Desafios?”, que decorreu esta tarde no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, Lurdes Craveiro aludiu à atividade inclusiva “EU no musEU”, que vem sendo desenvolvida no Museu Nacional Machado de Castro há cerca de 10 anos.

“Esta atividade é estimulada e alimentada pela energia da doutora Virgínia Gomes [coordenadora técnica do programa] e de toda uma equipa que se perfila na crença dos efeitos benéficos da interação e da relação entre as obras de arte e os doentes, particularmente os que sofrem de Alzheimer, e que puderam, ao longo destes dez anos, constituir e alargar uma família”, referiu.

Desenvolvido no Museu em parceria com a Alzheimer Portugal há 10 anos, “Eu no musEU” é um programa “pioneiro em Portugal na abordagem da arte e dos museus, com pessoas com demência e seus cuidadores”.

Na intervenção na abertura do colóquio, a presidente da Alzheimer Portugal, Manuela Morais, destacou que este projeto tem como objetivo levar alívio e apoio às pessoas com demência, nomeadamente aos doentes com Alzheimer e aos seus cuidadores.

“Estes 10 anos comprovam a importância destas terapias não farmacológicas, já que a doença de Alzheimer continua a não ter cura, a não ter um tratamento eficaz. Portanto, há que se socorrer de tudo o que significar ajuda, apoio, uma melhor qualidade de vida, tanto para os doentes como para as suas famílias”, acrescentou.

À margem da sessão de abertura do colóquio, a coordenadora técnica do programa, Virgínia Gomes, revelou que mais de 50 pessoas com demência passaram pelo “Eu no musEU” nestes 10 anos.

“O balanço dos 10 anos é que este programa não é só para o público com vulnerabilidade intelectual e social, porque são pessoas excluídas e autoexcluídas, elas e as suas famílias. Trata-se também de, através da obra de arte e dos espaços do museu, criar condições para um reconhecimento da própria cidadania e para o crescimento das equipas”, apontou.

De acordo com Virgínia Gomes, a equipa deste programa é constituída essencialmente por voluntários da sociedade civil, “cerca de 20 em cada sessão”.

As sessões decorrem uma vez por mês, em grupos separados: um para pessoas com demência e outro para cuidadores.

“Realço que o cuidador também precisa de estar fora do seu desempenho e de ter algum descanso”, frisou.

A coordenadora técnica do programa evidenciou a importância desta comunidade que cuida “ressocializar” e de “ter a própria visão de cidadania”.

“Ao cuidarem de alguém a tempo inteiro, sentem-se culpados se não o fizerem e deixam de viver”, concluiu.

O Colóquio Internacional “Museus e Demência: Que Desafios?”, que pretende abordar temáticas relacionadas com o conhecimento das demências e as boas práticas que se vão desenvolvendo noutros museus estrangeiros, decorre até dia 19 de maio.

Inserido na comemoração do Dia Internacional dos Museus, sob o lema “O Poder dos Museus”, o colóquio “vem celebrar o poder que a arte, a ciência e a comunidade têm para promover a acessibilidade intelectual, social e emocional de pessoas com demência e seus cuidadores”.

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