Educação

Professores iniciam caravana e acusam Governo de empurrar problemas com barriga

Notícias de Coimbra com Lusa | 42 minutos atrás em 19-02-2026

Imagem: depositphotos.com

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusou hoje o Governo por estar “a empurrar com a barriga” problemas que boicotam o futuro do ensino em Portugal e exigiu medidas, lembrando que há milhares de professores perto da reforma.

“Estamos a falar de um ministro que tem dois anos de funções e até ao momento o que tem feito é ir empurrar os problemas com a barriga. A falta de professores cresce. Vamos ter outra vez um ano, muito provavelmente, com mais de 3.000 professores a irem para a aposentação”, referiu o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves.

O dirigente sindical falava à agência Lusa na Praça Pedro Nunes, no Porto, à porta da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e do Conservatório de Música do Porto, onde teve início hoje às 08:00 a caravana nacional “Somos professores e educadores, damos rosto ao futuro!”.

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Ao longo de 10 dias, a caravana vai percorrer os 18 distritos do continente, as nove ilhas dos Açores e oito concelhos da Madeira para distribuir ‘flyers’ e postais que descrevem as principais preocupações e reivindicações dos professores.

Hoje, mais de uma dezena de professores com a inscrição “Exigimos valorização já” nas camisolas aproveitaram o horário de entrada dos alunos nas escolas para distribuir postais com a frase “Falta professores – e isso sente-se de forma crescente nas escolas e na vida de muitas famílias”, postais esses já preparados para dirigir ao ministro da Educação.

“Apesar de o ministro da Educação dizer que a valorização do estatuto da carreira docente é importante e está em processo de revisão, até ao momento não há uma única medida concreta que permita dizer: esta medida é melhor do que o que já existe”, criticou Francisco Gonçalves, insistindo naquele que diz ser o principal problema da profissão no futuro.

Segundo o dirigente sindical, nos próximos anos haverá 3.000 a 4.000 professores a reunir anualmente condições para se aposentarem e o número de alunos que a obter licenciaturas e mestrados em ensino “é manifestamente inferior”.

“O problema está a crescer. E o que é que o Ministério tem feito? Nada ou muito pouco”, sublinhou.

Apontando que ao longo deste périplo pelo país serão abordados problemas nacionais, mas também específicos de cada escola, bem como entregues documentos, “não só sobre o ensino geral, mas também sobre o ensino particular, as escolas artísticas, e o ensino especializado”, Francisco Gonçalves frisou que a caravana servirá para “chamar a atenção da opinião pública”.

Estão também previstas expressões de rua e expressões artísticas e vários plenários.

“Vamos falar com os professores, chamar a atenção para os professores, fazer o ponto de situação da negociação e, por outro lado, chamar a atenção da opinião pública de que, de concreto, nenhuma medida substantiva foi feita para melhorar o estatuto da carreira que temos e, com isto, recordar o poder político que é urgente tratar estes problemas”, resumiu o dirigente.

Da Praça Pedro Nunes, a caravana seguia hoje, ainda no Porto, para a estação de metro da Trindade e Escola Soares dos Reis, partindo depois para escolas de Vila Nova de Gaia, prevendo-se que termine com um plenário na Escola Básica e Secundária de Pedrouços, na Maia.