O presidente do INEM admitiu hoje que a refundação do instituto que assegura a emergência pré-hospitalar vai implicar “alguns sobressaltos”, alegando que a sua orgânica se manteve praticamente inalterada desde a fundação em 1981.
“Esta refundação vai ser impossível de fazer sem que haja alguns sobressaltos. Nós estamos a falar em mudar as rodas de um Ferrari em alta velocidade e em andamento”, afirmou Luís Mendes Cabral na comissão parlamentar de Saúde, onde foi ouvido a pedido das bancadas parlamentares do PS e do Chega.
Aos deputados, o médico salientou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tem atualmente uma orgânica que praticamente não mudou e com uma “falta de liderança clínica clara”.
Perante isso, Luís Mendes Cabral defendeu que o instituto precisa “de imediato” de uma nova lei orgânica, já anunciada pelo Governo, considerando que se trata da “necessidade mais permanente” para reorganizar o sistema de emergência médica e corrigir limitações estruturais.
“Há ainda um modelo pouco assente na liderança clínica do instituto, tanto ao nível de gestão, como operacional”, referiu o responsável do INEM, que tomou posse no cargo em novembro de 2025, apontando o exemplo das viaturas de suporte imediato de vida, que não têm protocolos de atuação.
Luís Mendes Cabral adiantou ainda que decidiu que o socorro pré-hospitalar fica assente em três níveis – suporte básico de vida, suporte imediato de vida e suporte avançado de vida.
“Não há entrelinhas, não há outra forma de olhar para o socorro senão nestes três níveis”, defendeu o médico especialista em medicina de urgência e emergência, para quem o INEM vai ter de ajustar o seu funcionamento com base nessa segmentação, aplicando protocolos de atuação definidos por uma direção clínica.
As alterações no instituto surgem na sequência dos diagnósticos feitos recentemente por várias entidades, referiu ainda Luís Mendes Cabral, que disse aos deputados que decidiu assumir a presidência do instituto para proceder à sua refundação.
“Se não fosse para refundar o INEM, se fosse para manter tudo como está, provavelmente não teria saído do meu conforto no Açores”, onde era diretor clínico do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros, afirmou.
Na audição parlamentar, Luís Mendes Cabral adiantou também que o INEM já foi um dos institutos tecnologicamente mais avançados do país, mas que perdeu essa capacidade com o tempo, apontando o exemplo da falta de geolocalização das ambulâncias.
“O INEM, neste momento, não sabe onde andam as ambulâncias. Temos de ter uma noção clara, em geolocalização, onde é que andam as ambulâncias”, defendeu o médico, salientando que a refundação “passa por essas alterações que têm de ser feitas”.