O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, considerou hoje que a forma como estão pensados os empréstimos para as empresas afetadas pelas tempestades poderá levar a banca a ganhar dinheiro com a situação.
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“Aquilo que foi anunciado que era 0% passou para 0,5% na lógica do ‘spread’ [para os créditos de apoio à recuperação das empresas]. As empresas boas têm um ‘spread’ mais baixo. Não têm comissões, mas têm uma taxa de juro com a Euribor de referência e podem ter um prémio de 10% a fundo perdido. Eu disse logo que não era a solução”, disse Gonçalo Lopes, que falava na conferência “Eventos Climáticos Extremos”, realizada na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
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Para o autarca, o apoio às empresas “não se resolve” com empréstimos, tal como determinado pelo Governo.
“Ainda é a banca que vai ganhar dinheiro com isto, porque vai vender dinheiro mais caro do que aquilo que compra ou do que aquilo que tem”, criticou Gonçalo Lopes.
Segundo o presidente da Câmara de Leiria, deveria haver “um esforço maior nessa área” por parte do Governo, entendendo que as empresas “precisam de um estímulo”.
“Ficaram sem telhado, ficaram com os meios de produção afetados e apoio devia ter sido superior e contundente. Porquê? Porque um dia parado de uma economia como a do concelho de Leiria representa aproximadamente sete milhões de euros por dia. Nós não tivemos um dia e ainda estamos dias parados em alguma parte da economia”, vincou.
Além do “impacto grande” na economia regional, o autarca antevê também um impacto na economia nacional.
“Ou se matava o assunto à cabeça, criando confiança, ou podemos perder aquilo que de melhor temos”, salientou o autarca, que tem defendido apoios a fundo perdido para as empresas poderem recuperar.
Durante a sua intervenção, Gonçalo Lopes deu ainda nota de que o município gastou cerca de 13 milhões de euros na resposta à tempestade nas primeiras duas semanas e que, até ao momento, o montante já ascende a 33 milhões de euros.
“Apenas com o orçamento municipal, nenhuma Câmara consegue aguentar”, disse.
Na conferência “Eventos Climáticos Extremos”, participaram também o coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução do Centro do País, Paulo Fernandes, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, e o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, entre outros.
O evento foi organizado conjuntamente pela Faculdade de Economia, Ordem dos Economistas e Ordem dos Engenheiros.
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