O candidato presidencial António José Seguro afirmou hoje, no Fundão, que o interior não pode ficar sem distribuição de jornais, o que, a concretizar-se, será “uma desconsideração e abandono do interior”.
Seguro falava durante uma visita ao jornal do Fundão, no distrito de Castelo Branco, que coincidiu com o dia a partir do qual a Vasp, a principal distribuidora de imprensa no país, disse que suspenderia a distribuição diária de jornais e revistas em oito distritos do interior. A par de Castelo Branco, recorde-se, são afetados os distritos de Bragança, Beja, Évora, Portalegre, Guarda, Viseu e Vila Real.
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“Já há muitas terras do interior que foram ficando sem serviços públicos. A leitura de jornais é fundamental e, por isso, precisam de chegar a todos os portugueses. Há portugueses que têm dificuldades de aceder aos meios digitais e a única forma que têm de receber notícias, para além da televisão, é também ler os jornais”, reiterou o candidato.
Segundo o ex-líder socialista, “um jornal numa barbearia, num café, é um elemento de convívio social. A pessoa sai de casa para ir ler o jornal, encontra os amigos, toma um café, conversa. Isso é uma forma também de combater a solidão”.
Por outro lado, António José Seguro questionou: “se os jornais não chegam ao interior, qual é o interesse dos jornais em darem notícias sobre o interior de Portugal? Vamos esquecer, outra vez, as pessoas do interior do país?”.
Se for Presidente da República, garante, vai pugnar pela unidade nacional. “Não há portugueses de primeira, nem portugueses de segunda. E o papel do Presidente da República é de garantir a unidade nacional. E a unidade nacional não são só as nossas fronteiras. É também a coesão social que tem de existir entre todos os portugueses, vivam eles onde viverão”.
O primeiro sinal que Seguro dá desse propósito foi o de começar a sua campanha no interior, na sua terra, pois do Fundão seguiu para Penamacor, onde se ia encontrar com militantes. “É daqui que vai começar esse caminho” afirma, retirando que pretende unir toda a esquerda, “mas sobretudo todos os eleitores moderados deste país”, garantindo levar para a Presidência da República “moderação. Mas não é moderação para ficar tudo na mesma. É uma moderação para mudar aquilo que é preciso ser mudado no país”.
As mudanças, refere, passam “pelo acesso a cuidados de saúde, à garantia que os jovens não tenham que emigrar para terem uma vida digna, ou o acesso a um teto”. Não deixa de fora “os reformados e pensionistas, que precisam ser amparados numa fase mais vulnerável das suas vidas”, nem mesmo a luta pela igualdade de salários entre homens e mulheres.
“Passados mais de 50 anos em democracia ainda há injustiças. Como é injusto aquilo que se está a fazer ao interior do nosso país”, afirma, incluindo nesta critica o projeto da central solar Sophia.
Reconhece que o Presidente da República “não decide, mas tem voz”. E no que toca a este projeto em concreto “o Presidente da República chamará a atenção que territórios como os da Beira Baixa não podem ser os territórios onde se vêm instalar mega centrais dessa natureza, porque isso colide com a biodiversidade e colide com o investimento e a perseverança, a insistência que muitos agricultores foram fazendo ao longo de décadas e que foram resistindo”.
“A minha voz está ao lado dos beirões, está ao lado das pessoas do interior, para que de facto aqui seja feito o investimento que interessa. Em empregos, em empregos qualificados, para que as pessoas possam ter mais dinheiro, em investimentos públicos para que se capte o investimento privado, em bons cuidados de saúde, em boas escolas. Isto é o que o interior precisa, como aliás todo o país. Portanto, não estraguem o interior, não estraguem os nossos campos, não estraguem as nossas paisagens, não deem cabo dos poucos agricultores que ainda existem nesta região”.
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