Política

Prejuízos da Kristin “bastante acima” dos incêndios de 2024 ou 2025

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 30-01-2026

 O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, disse hoje que os prejuízos devido ao mau tempo são “bastante acima” dos valores registados nos incêndios de 2024 ou 2025.

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“Eu fui fazendo as minhas contas, evidentemente, ao ouvir a descrição do que estava a ser feito e vou criando um número na minha cabeça, mas são números muito redondos. O que eu lhe digo é que são números bastante acima daquilo que foram os prejuízos nos incêndios do ano 2025 ou do ano 2024”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.

O ministro falava aos jornalistas após uma reunião, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, com autarcas e outras entidades, na sequência do impacto da depressão Kristin.

“Desta reunião de hoje, eu não pude trazer um número da quantidade dos prejuízos. A esmagadora maioria dos autarcas não arrisca – e compreensivelmente – dar um número de qual é que é o montante de prejuízos de cada concelho. Portanto, é impossível chegar a um valor global”, declarou.

Adiantando que o encontro com autarcas permitiu “perceber que a dimensão do problema é, realmente, muito grande”, o governante admitiu que o Norte e Sul do país “não têm ideia do que está a acontecer no Centro”, sobretudo na região de Leiria, onde vários concelhos apresentam problemas de “grande severidade”.

Castro Almeida reconheceu que, devido ao facto de “muitíssimas fábricas” estarem sem teto e sem “condições de trabalhar”, a situação “vai mexer nas cadeias de produção”, o que “vai ser um problema sério”.

Por outro lado, admitiu que o impacto da depressão vai obrigar a mudar prioridades em termos de investimento das câmaras.

“Uma das coisas que estivemos a ver foi que há obras que estão a ser construídas com financiamento do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], têm prazos estritos para serem cumpridos e isto vai dificultar o cumprimento dos prazos”, reconheceu.

Adiantando ter pedido aos autarcas para fazerem chegar essas situações ao Governo, para o executivo “obter compreensão de Bruxelas para esses prazos, que são muito rigorosos”, Castro Almeida observou: “Se uma escola está a ser construída e se a grua vem abaixo e se os telhados vêm abaixo e o que estava construído vem abaixo, vamos ter de, necessariamente, mexer nestes prazos”.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.