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Pouca gente fora dos Açores conhece esta procissão (mas isso pode estar a mudar)

Notícias de Coimbra | 8 minutos atrás em 22-02-2026

Imagem: Ribeiragrande

 A inscrição da Procissão dos Terceiros da Ribeira Grande no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial será efetuada logo que esteja concluído o processo da candidatura da Viola da Terra, disse hoje o Governo dos Açores.

“Os últimos tempos têm sido profícuos no avançar de candidaturas e de inscrições ao património imaterial. O Carnaval da Terceira está já inscrito, temos também numa fase de finalização a Viola da Terra. Temos a questão da Procissão dos Terceiros, que é a que se segue logo de imediato”, disse hoje à Lusa a secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro.

A governante foi questionada após a Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, ter admitido a entrega, “antes do verão”, da candidatura da inscrição da Procissão dos Terceiros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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“Gostaríamos que isso [a candidatura] fosse entregue antes do verão, porque já estamos muito, muito atrasados. […] Houve um comprometimento público de que essa candidatura estaria pronta em dezembro de 2024”, disse na quinta-feira à Lusa o vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, António Pedro Costa.

Segundo o dirigente, a Câmara Municipal da Ribeira Grande e a Santa Casa da Misericórdia já fizeram tudo o que era necessário e falta a parte final da candidatura, que depende da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto.

“E, portanto, estamos agora a aguardar, com alguma preocupação e anseio, para saber quando é que teremos uma candidatura pronta para poder apresentá-la”, disse, indicando que a mesa da Santa Casa já pediu uma reunião à secretária regional da tutela para abordar o assunto, uma vez que a entidade que está a coordenar a candidatura é a Direção Regional da Cultura.

Questionada sobe o assunto, a titular da pasta da Cultura no executivo açoriano disse que está a ser desenvolvido trabalho com os promotores da candidatura desde 2023.

“Foram já feitas várias entrevistas e, com transcrições dessas entrevistas, estamos a chegar a uma fase final de transcrição, depois mesmo para a inscrição”, disse Sofia Ribeiro.

E prosseguiu: “Mas, como temos em paralelo, um outro processo, e este totalmente desenvolvido pela Direção Regional da Cultura, e que é precisamente o dos saberes e práticas de tocar a Viola da Terra que está mesmo, mesmo, mesmo a ser ultimado, tivemos que dar totalmente prioridade a esse processo nestes últimos meses, para o podermos finalizar”.

“E, depois, obviamente [quando o processo da candidatura da Viola da Terra estiver concluído] que daremos, então, logo de início, continuidade a esta fase final para a inscrição da Procissão dos Terceiros”, garantiu.

A apresentação pública da candidatura da Procissão do Senhor dos Terceiros ao património imaterial decorreu em 04 de outubro de 2024, no Museu Vivo do Franciscanismo, e também envolve a Universidade dos Açores.

A Procissão dos Terceiros é realizada anualmente, no primeiro domingo da Quaresma, na Ribeira Grande,no âmbito da festa em honra do Senhor Santo Cristo dos Terceiros.

A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande cumpre hoje, uma vez mais, o seu compromisso de realizar a celebração e continuar a preservar a procissão penitencial que “constitui um importante legado de um património cultural imaterial que valoriza a cidade da Ribeira Grande e mesmo os Açores”.

O ponto alto da festividade será pelas 17:00 locais (mais uma hora em Lisboa), com a saída da procissão da igreja do antigo Convento dos Frades, hoje Museu Vivo do Franciscanismo, com relevância para a imagem do Senhor Santo Cristo dos Terceiros, que ocupará o destaque dos 10 andores, “todos eles evocando a história de São Francisco de Assis e dos santos pertencentes à Ordem Terceira”, adiantou a organização.

A Procissão do Senhor Santo Cristo dos Terceiros é “única e identitária” dos Açores, segundo o vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, António Pedro Costa.