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Portugal já não é mais visto pelos brasileiros como o país do “Roberto Leal, dos ranchos, das mulheres com bigode e com barba”

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O presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil considera que Portugal deixou de ser visto pelos brasileiros como o país de Roberto Leal e é agora um país de oportunidades para viver e investir.

“Há 27 anos, quando eu cheguei [ao Brasil], a maioria dos brasileiros conhecia mal Portugal e para eles Portugal ainda era o Portugal do Roberto Leal (…) dos ranchos, das mulheres com bigode e com barba”, explica Armando Abreu, em entrevista à agência Lusa.

O responsável considera que a ideia que havia de Portugal “era uma ideia muito retrógrada” e que “hoje a visão que os brasileiros têm de Portugal é uma visão completamente diferente”.

Armando Abreu destaca a evolução crescente de Portugal desde a entrada na União Europeia e que, em contrapartida, nos últimos “quatro anos houve uma degradação das condições de vida” no Brasil e a população ambiciona ter uma qualidade de vida superior e “escolhem Portugal como essa porta de entrada”.

Os brasileiros são a principal comunidade estrangeira residente no país, representando no ano passado 29,8% do total, o valor mais elevado desde 2012.

No final do ano passado, viviam em Portugal 204.694 brasileiros, sendo também a comunidade oriunda do Brasil a que mais cresceu em 2021 (11,3%) face a 2020.

“Hoje, Portugal tornou-se relativamente atrativo para o mundo, muito mais para os Brasileiros, porque nós sabemos que seja em termos de negócios, seja em termos da vida do dia-a-dia o fator língua é muito importante”, afirma, acrescentando que a vinda dos brasileiros para Portugal tem como causa também os problemas de segurança e de violência do Brasil.

Os investimentos feitos pelos brasileiros em Portugal, explica o também vice-presidente da Comissão Executiva da Rede das Câmaras de Comércio Portuguesas, são focados na área da imobiliária, construção civil e no agronegócio.

Uma grande fatia que vem para Portugal pertence a uma classe média, profissionais liberais, que vêm “na maioria dos casos para procurar uma melhor qualidade de vida”.

“Isso encaixa também com uma situação real que toda a Europa vive, e Portugal não foge a isso, que é uma dificuldade de mão-de-obra muito grande, especialmente nas áreas de hotelaria, construção civil, serviços, agricultura”, afirma.

No final do mês passado, o parlamento português aprovou um novo visto para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que permite a entrada no país com o objetivo de procurar trabalho durante seis meses, faltando apenas a promulgação do Presidente da República para entrar em vigor.

“Junta-se a fome com a vontade de comer: Portugal precisa de mão-de-obra e nós temos muito brasileiro com vontade de começar por Portugal”, destaca.

O Brasil vai a votos no dia 02 de outubro numas eleições altamente bipolarizadas entre o atual Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o ex-chefe de Estado Lula da Silva.

Na opinião de Armando Abreu este movimento não vai diminuir “independente de quem ganhar, seja Lula seja Bolsonaro”

“Esse fluxo vai continuar e aumentar”, garante.

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